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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 791

Karine se remexeu de leve.

Era tão macio...

Dentro do carro, porém, reinava um silêncio glacial.

Ao virar o rosto, deu de cara com Antônio. A expressão dele era tão fria que ela se assustou.

— Você...

Assim que o reconheceu, ficou completamente atordoada.

"Espera... Eu não estava no centro cirúrgico? Como vim parar no carro do Antônio?"

Antônio voltou os olhos para ela. Depois de passar a noite inteira na estrada, estava com os olhos vermelhos de cansaço, mas nem isso amenizava a dureza de sua expressão.

Karine não disse nada.

A voz dele veio carregada de fúria.

— Você não ouve ninguém, não importa se falam com calma ou com dureza, não é? O que foi que eu escrevi nas mensagens?

Ele havia deixado sua posição mais do que clara. Mesmo assim, ela continuara decidida a interromper a gravidez.

Se Antônio não tivesse chegado a tempo, aquela criança provavelmente já não existiria.

— Como você consegue ser tão cruel? Estamos falando de uma vida!

Ele cuspiu cada palavra entre os dentes.

Karine continuou calada.

"Cruel?"

A acusação arrancou dela uma resposta amarga.

— Meu maior erro foi ter deixado essa gravidez acontecer.

Ela também sentia muito pelo bebê.

Mas não havia mais nada que pudesse fazer.

Se não fosse cruel o bastante para interromper a gravidez, acabaria sendo cruel consigo mesma pelo resto da vida.

Havia coisas demais esperando por ela dali em diante.

Por isso, era melhor ser cruel agora.

Antônio acendeu um cigarro e deu duas tragadas profundas. Pouco depois, o carro parou.

No banco da frente, Caio avisou:

— Sr. Antônio, chegamos.

Eles haviam passado a noite inteira na estrada. Naquelas condições, não seria seguro seguir direto para Nova Aurora.

Por isso, Antônio pedira a Caio que reservasse um quarto ali, para que descansassem antes de retomar a viagem.

A porta do carro se abriu.

Antônio desceu primeiro. Em seguida, olhou para Karine, que continuava sentada, sem demonstrar a menor intenção de acompanhá-lo.

— O que foi? Está esperando que eu carregue você?

Karine franziu a testa.

Antes, ele sempre fora tão gentil. Por que precisava machucá-la daquele jeito agora?

Bastara ela falar em terminar para que toda aquela brutalidade viesse à tona.

"Os homens realmente sabem fingir. Enquanto tudo está bem, chamam você de amor. Quando a relação acaba, mostram quem realmente são."

Cristiano não fizera o mesmo com Isabela?

Aquilo apenas provava que os erros dos outros também serviam de alerta.

Karine teve ainda mais certeza de que precisava terminar com Antônio.

"Não importa o que aconteça. Eu vou terminar com ele."

Os dedos dele se fecharam com mais força em torno de seu queixo.

— Karine, você não tem coração? Estamos falando de uma vida...

As últimas palavras saíram entre os dentes.

Ela não respondeu.

Ao ouvir "uma vida", sentiu o peito se apertar sob um peso sufocante.

Quando ergueu os olhos para encará-lo, as lágrimas já embaçavam sua visão.

— Você acha que eu não sei que é uma vida?

Sua voz saiu baixa e rouca, carregada pelo choro que tentava conter.

Antônio não respondeu.

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