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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 794

Karine estava irredutível.

Depois da humilhação que sofrera nas mãos da mãe de Antônio, não seria fácil fazê-la mudar de ideia, por mais que ele insistisse.

Ao perceber que nada do que dizia surtia efeito, Antônio começou a se desesperar.

— Por que você continua falando do Cristiano e da Isabela? Eu não sou igual a ele. Se você não gosta da família Moreira, então não precisa voltar para lá.

Para Antônio, a solução era simples.

Se Karine e sua família não conseguiam conviver, bastava mantê-las afastadas.

Era assim que ele enxergava a situação: de forma direta, quase ingênua.

Ao ouvi-lo, Karine sentiu apenas um cansaço amargo.

Era sempre assim.

Os homens faziam tudo parecer muito mais simples do que realmente era.

— Cristiano também não levou a Belinha para morar no Condomínio Vila Real?

Separar as pessoas era fácil.

Cristiano tivera exatamente a mesma ideia.

E de que adiantara?

Quando alguém queria infernizar a vida de outra pessoa, sempre encontrava um jeito.

No início, Cristiano talvez tivesse protegido Isabela. Talvez tivesse impedido que aquelas pessoas se aproximassem e tentado mantê-la longe dos conflitos.

Mas e depois?

Com o passar do tempo, até aquela proteção, a única que Isabela ainda tinha, acabou se desgastando junto com a paciência dele.

E, quando Cristiano se cansou, quem continuou sofrendo foi apenas Isabela.

Talvez ele também tivesse esperado que ela resolvesse sozinha os problemas com a família.

Depois de perder a paciência, provavelmente passou a acreditar que cabia a Isabela administrar aquelas relações e acabar com os conflitos.

Só que havia situações que não podiam ser resolvidas.

Não importava quanto ela cedesse, explicasse ou tentasse manter a paz.

Algumas pessoas simplesmente não queriam paz.

Karine vira histórias assim se repetirem vezes demais.

Por causa de Isabela, acompanhara de perto o que muitas mulheres enfrentavam depois de se casar com homens de famílias ricas e influentes.

Karine não pretendia percorrer o mesmo caminho.

A mão de Antônio, ainda firme em sua cintura, apertou-a com mais força.

— Antônio, você está simplificando demais as coisas.

Ela sustentou o olhar dele.

— Tudo o que você está propondo agora o Cristiano já tentou. E qual foi o resultado? Você mesmo viu.

Antônio acreditava estar oferecendo soluções novas, mas Cristiano já usara todas elas antes.

Manter distância.

Morar em outro lugar.

Impedir o contato.

Prometer que resolveria tudo.

E, no fim, nada funcionara.

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