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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 2

Meu olhar caiu sobre as malas próximas à escadaria e meu coração bateu com tanta força que achei que pudesse infartar e morrer naquele momento.

Não! Não podia ser ela!

Brianna era minha prima. Havia sido criada por minha mãe quase como uma filha. Durante muitos anos, foi a pessoa mais próxima que tive de uma irmã. Não podia ser a mulher das mensagens. Não podia ser a mulher por quem meu marido estava apaixonado.

Talvez Oliver tivesse apenas ido encontrá-la. Talvez aquelas malas e a intimidade entre os dois não significassem nada. Mas uma parte de mim, aquele pensamento que eu tentava desesperadamente silenciar, já sabia a verdade.

Mordi o lábio, tentando impedir que percebessem o quanto ele tremia.

— Jaqueline. — ela levantou-se e apontou para o sofá à nossa frente. — Sente-se. Estou com tanta saudade e ansiosa para te contar como foi minha morada em Paris.

Sim... ela me convidava para sentar na minha própria casa, como se eu fosse a visita e ela a dona.

E talvez, dentro de alguns meses, realmente fosse. Em menos de um ano, ela ocuparia o meu lugar na vida do meu marido e, inevitavelmente, na dos meus filhos.

— Quem é ela, mamãe? — Zoe perguntou, escondendo-se atrás de mim, como se tivesse percebido o quanto aquela presença me abalava.

— Sua mamãe nunca falou de mim? — Brianna fez um beicinho. — Eu não acredito nisso! Éramos tão ligadas, Jaqueline. Como esqueceu de falar da sua quase irmã para a sua filha? — fingiu estar magoada.

Zoe permaneceu em silêncio. Sem que eu percebesse, Oliver se aproximou e retirou Maicon adormecido dos meus braços.

— Mas aposto que o seu papai contou sobre mim, não é mesmo, Oli?

"Oli"?

Um arrepio percorreu minha espinha. Depois de tantos anos, ela ainda o chamava daquele jeito.

— Papai não me falou nada. — Zoe respondeu. — Você é minha prima, então?

— Sim, eu sou sua prima. Mas pode me chamar de tia, se quiser. Tia Bri.

Não consegui conter um sorriso irônico.

"Tia Bri."

A mulher que, muito em breve, provavelmente ocuparia o meu lugar definitivamente. A vida que eu tanto sonhei e a qual nunca teria.

Olhei para as malas e depois para Oliver. Eu deveria perguntar porque uma visita chegava com tantas bagagens, mas simplesmente não consegui.

— Você esqueceu de buscá-los na escola. — falei.

— Fui buscar Brianna no aeroporto.

Naquele instante, a última esperança que eu ainda tentava preservar desapareceu. A foto da mala, as unhas impecavelmente feitas. A mensagem avisando que havia acabado de pousar.

Era ela. Brianna era a "Senhor Love" de Oliver.

— E esqueceu dos seus filhos?

— A culpa é minha, Jaqueline!

Brianna aproximou-se e repousou delicadamente a mão sobre o braço de Oliver.

— Liguei para o Oli de última hora. Fazia tanto tempo que não nos víamos que eu não imaginei ninguém me buscando a não ser ele. Você não se importa, não é mesmo? Sabe há quanto tempo Oli e eu ficamos separados.

Não respondi. Meu coração acabara de se partir mais uma vez. E, ironicamente, nem fazia diferença. Ele já estava condenado a deixar de bater em breve.

— Vou botar Maicon na cama. — Oliver disse, seco. — Brianna ficará aqui em casa até ela encontrar uma casa. Não acho justo ela ficar num hotel sendo que temos quartos de sobra nessa casa.

Enquanto Oliver subia as escadas, peguei Zoe no colo e o acompanhei. Eu jamais abria mão de dar banho nos meus filhos, alimentá-los e colocá-los para dormir.

Oliver acomodou Maicon na cama, enquanto Zoe começou a contar ao pai como havia sido seu dia.

Naquela casa existiam pelo menos quinze quartos. Mesmo assim, Zoe e Maicon nunca aceitaram dormir separados. Eram gêmeos extremamente ligados, embora Maicon dependesse muito mais da irmã do que ela dele.

Pela primeira vez em muitos anos, Oliver parecia não dar verdadeira atenção ao que Zoe dizia. Era evidente que queria encerrar a conversa para voltar para Brianna.

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