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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 5

Eu nunca tinha ido à uma casa noturna. E jamais imaginei que pisaria em uma.

O lugar era tomado por luzes coloridas e piscantes, que me deixavam tonta, e com tantas pessoas que tive medo de me perder de Natália e nunca mais encontrá-la.

Conforme eu caminhava pela multidão, que dançava como se o mundo fosse acabar, meu vestido subia e me deixava quase nua. A maquiagem no meu rosto poderia facilmente fazer alguém me confundir com a Arlequina, de tão colorida que era. Mas, segundo Natália, era assim mesmo que tudo aquilo funcionava.

— Vamos dançar — ela decidiu, puxando-me para a pista de dança.

Eu não sabia dançar. Nunca tinha feito aquilo na vida e... não pretendia tentar pela primeira vez no meio de tanta gente desconhecida.

Fiquei imóvel enquanto Natália dançava. Todos ao redor faziam o mesmo, sem parecerem envergonhados, como se aquilo fosse... natural.

Natália me olhou e gritou para que eu a ouvisse em meio àquela música absurdamente alta:

— Você precisa se soltar.

Meneei a cabeça de forma negativa. Eu já estava completamente arrependida de ter ido àquele lugar, que, definitivamente, não era para mim.

Eu era só uma mãe... olhando para o relógio o tempo todo e me perguntando se meus filhos estavam bem.

Nunca estive num lugar com tantas pessoas juntas. Nunca estive em um ambiente onde todos se tocavam, mesmo sem querer, porque era impossível dar um passo sem esbarrar no corpo de alguém. Nunca estive num lugar... onde as pessoas simplesmente pareciam se divertir com uma música, dentro de um espaço quase sufocante.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Natália avisou:

— Não saia daqui. Eu já volto.

— Não... por favor, não me deixe sozinha — gritei enquanto ela desaparecia no meio da multidão.

Tentei ir atrás de Natália, mas não encontrei uma única brecha entre as pessoas para que pudesse me mover dali.

Fiquei parada, desnorteada, sem saber o que fazer e me perguntando, mais uma vez, como havia ido parar naquele lugar, me deixando ser levada pelas maluquices de minha amiga.

Uns quinze minutos depois, após um quase sufocamento e uma possível síndrome de pânico, Natália reapareceu e me entregou uma bebida colorida, bonita demais para ser degustada.

— Bebe — ela ordenou. — Você vai se sentir melhor depois disso.

Não, eu não beberia. Aquilo ia contra todos os meus princípios e colidia com tudo o que eu havia vivido no passado.

Antes que eu contestasse, Natália me puxou e falou ao meu ouvido:

— Você não se transformará numa bêbada se tomar um drinque, Jack. Você não se tornará o seu pai. Dê uma chance a si mesma. Eu estou aqui para cuidar de você... e sempre estarei... até o fim.

Mordi o lábio e tentei conter as lágrimas. Seria ainda mais humilhante se eu chorasse ali.

Talvez Natália tivesse razão. Tomar um gole de bebida não me transformaria no ser monstruoso que era meu pai. E, caso não provasse, morreria sem saber o gosto de um drinque colorido e bonito.

No primeiro gole, senti uma queimação na boca, e o líquido desceu quase incendiando minha garganta. Quando terminei o copo, tudo o que sentia era uma leveza... como se a vida tivesse se tornado menos complicada.

Ouvi uma música que conhecia desde a adolescência e tentei cantar, sabendo que, por mais desafinada que fosse, ninguém conseguiria me ouvir. Aliás, metade daquelas pessoas era completamente desafinada. A outra metade cantava a letra errada.

De repente, um homem apareceu e puxou Natália. Falou algumas palavras ao ouvido dela e, em segundos, os dois estavam se... beijando?

Como assim? Ele aparecia do nada e beijava minha amiga sem nem pedir licença? Ou pediu?

Enquanto eu decidia se chamava a polícia ou arrancava minha amiga das mãos daquele tarado, senti alguém envolver minha cintura.

Congelei. Meu coração, porém, acelerou de tal forma que temi que todas as pessoas naquele lugar conseguissem ouvi-lo.

Um item riscado da lista 1

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