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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 3

Quando recuperei meus sentidos, estava na outra sala de estar, com a senhora Hills e o nosso jardineiro ao meu lado, ambos com semblantes preocupados.

— Quanto tempo fiquei desacordada? — perguntei, tentando levantar, sentindo minhas pernas ainda pesadas.

— Quase quatro minutos, senhora. — a governanta disse, consternada.

— Muito tempo... — ergui meu corpo com dificuldade. — O normal é dois minutos.

Fui andando, amparando-me na parede.

— Senhora... quer que eu providencie... um... chá?

— Não, senhora Hills. Obrigada.

Eu sabia que não havia chá capaz que curasse a minha doença. Tampouco a dor da rejeição que eu sentia. Achei que nada pudesse ficar pior entre Oliver e eu. Porém, nos meus últimos dias de vida, descobri que poderia.

Quando cheguei à sala principal, vi um dos funcionários subindo as malas de Brianna para o andar superior. Logo atrás dele, Brianna e Oliver conversavam animadamente.

Fui até a escadaria e tentei subir, sem saber se conseguiria.

Quando percebeu minha presença, Oliver virou a cabeça para trás:

— Aonde você estava? As crianças estão pedindo por você.

Parei por alguns segundos e disse:

— Eu estava providenciando o que você me pediu... o quarto para Brianna.

Os dois seguiram. E eu fiquei ali, sentindo o meu mundo desabar de vez.

Quase me arrastei até o quarto dos meus filhos. Quando cheguei, Maicon e Zoe já estavam dormindo. Senti uma lágrima boba escorrer pelo meu rosto. Lágrimas de orgulho por ser mãe daquelas criaturinhas tão perfeitas, que faziam tudo na minha vida realmente valer a pena. Eu os desejei ardentemente. E eles vieram exatamente do jeitinho que eu imaginava... dois pacotinhos de amor.

Ajeitei-me na cama entre os dois. Hoje eu dormiria ali. E acho que, até os meus últimos dias, velaria o sono tranquilo dos meus bebês, porque sabia que em breve não poderia mais fazer aquilo.

Pensei em Oliver e Brianna e finalmente entendi que era impossível segurar o meu casamento. Eu precisava libertar Oliver. E me libertar, por mais que doesse.

Eu facilitaria as coisas para Oliver. Pediria o divórcio. Sabia que talvez ele tivesse adiado aquilo por pena. E... talvez, pela primeira vez, mesmo à beira da morte, eu devesse preservar a minha dignidade.

Mandei uma mensagem para Natália, minha melhor amiga:

"Nati, eu gostaria que você desse entrada no meu divórcio."

Era tarde, e eu não esperava que ela respondesse imediatamente.

"Isso é um sonho ou você realmente acordou?"

Respirei fundo e confessei:

"Eu acordei. Mas não foi de um sonho e sim de um pesadelo."

Natália mandou vários emojis de mãos em prece.

"Redigir seu pedido de divórcio será a melhor coisa que já fiz até hoje na minha carreira de advogada."

Limpei as lágrimas, sentindo-me, pela primeira vez desde que recebi o diagnóstico naquela manhã, acolhida e apoiada.

Tentei dormir, mas não consegui. Revirava-me de um lado para o outro e, quando cochilava, despertava em pânico, coberta de suor.

Levantei e peguei o diagnóstico médico da minha bolsa. Rasguei-o em pedacinhos minúsculos e joguei tudo dentro do lixo do banheiro do quarto das crianças.

Antes de deitar novamente, vi sobre a mesa de estudos de Maicon e Zoe várias canetas coloridas e folhas de papel.

Sentei-me à mesa e peguei uma folha. Escolhi duas canetas coloridas, uma rosa-pink e outra azul-claro.

E então fiz uma lista.

DEZ COISAS QUE EU FAREI ANTES DE MORRER:

Pedir o divórcio.

Deixar meus filhos nas mãos de uma pessoa que eu sei que irá amá-los e cuidar deles da mesma forma que eu faria se estivesse viva.

Beijar na boca.

Divórcio 1

Divórcio 2

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