Ele seguiu pela rodovia em direção à Reserva do Oeste e fez uma ligação para Clarice Cardoso.
Ao ver a chamada, o rosto de Clarice se iluminou de alegria: — Sérgio, você já terminou o trabalho?
Sérgio não estava com humor para jogar conversa fora e foi direto ao ponto: — A Júlia Guedes desapareceu, você sabia disso?
O volume de sua voz não estava alto, mas carregava uma frieza e profundidade extremas.
— Des... desaparecida?
O coração de Clarice deu um solavanco.
Ela forçou um sorriso: — Do que você está falando? Até pouco tempo atrás, a Júlia estava curtindo comentários de quem me odeia na internet, como ela estaria desaparecida?
Marlene Martins ouviu e se aproximou.
Sentou-se bem ao lado de Clarice.
Marlene não esperava que a reação dele fosse tão rápida.
Ela tomou o telefone e perguntou em um tom um pouco mais frio: — Sérgio, eu sei que você está ansioso, mas a Clarice não saiu de casa nestes últimos dias. Você sabe muito bem qual é a situação dela. Se aconteceu alguma coisa com a Júlia, a primeira coisa que você deveria fazer era chamar a polícia.
Após dizer isso, desligou o telefone diretamente.
Clarice apertava as duas mãos com força.
Marlene a garantiu: — Fique tranquila, a mamãe já organizou tudo, mesmo que seja a polícia, eles não vão desconfiar da gente.
Clarice ficou sentada de forma inerte diante da janela.
Depois de um bom tempo, levantou-se de repente: — Eu preciso dar uma saída.
Após dizer isso, sem se importar se Marlene tinha ouvido ou não, ela simplesmente saiu correndo.
A temperatura nos subúrbios era mais baixa que na cidade.
Júlia Guedes mancava enquanto atravessava a vegetação rasteira.
Os resquícios do anestésico em seu corpo ainda não haviam sido totalmente metabolizados, e sua cabeça estava pesada.
Mas Júlia não ousava parar, apenas corria em uma direção, fazendo o possível para esconder o corpo entre os arbustos.
Ela também pegou duas pedras para se defender.
A luz de uma lanterna brilhou em sua direção.
— Ela está ali!
Dois capangas correram atrás dela.
Um deles agarrou seu cabelo e a puxou para trás.
O couro cabeludo de Júlia doeu intensamente, mas ela ainda se debateu com força.
O homem, furioso pela resistência, levantou a mão e desferiu um tapa no rosto dela.
Júlia sentiu o gosto de sangue no mesmo instante.
Ela não gritou.
Em vez disso, usou as pedras que segurava para golpear o rosto do homem!
— Me solta! Sai de perto!
Júlia se debatia enquanto praguejava.
*Rasg*.
A blusa se rasgou.
O som foi ao mesmo tempo humilhante e estridente.
O ombro de Júlia sentiu o frio; a nuca e os ombros estavam expostos ao ar.
— Eu adoro as mais esquentadinhas. Pode continuar gritando, ajuda a animar.
Em situações extremas, a força que uma pessoa demonstra é infinita.
Júlia usou todas as suas forças e deu uma joelhada violenta na barriga do homem.
Então, como uma presa encurralada por feras na selva, usou as mãos e os pés para tentar alcançar a trava da porta.
— Merda, isso doeu para caralho!
O homem a puxou de volta, abriu a porta do carro e a jogou lá dentro.
A cabeça de Júlia bateu no vidro, e o sangue espesso começou a escorrer de sua têmpora.
Sua visão ficou embaçada.
Antes de desmaiar, viu o homem abrindo o cinto da calça.

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