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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 107

A voz do médico o trouxe de volta à realidade.

Sérgio respirou fundo e, com a voz rouca, disse:

— Você nunca me contou nada sobre tudo isso.

Júlia permaneceu em silêncio.

Sinceramente, ela não via mais sentido em trazer tudo aquilo à tona.

Mesmo que tivesse contado na época.

Sérgio a acharia um estorvo por ter atrapalhado seu tempo de trabalho, ou pensaria que ela estava fingindo ser coitada para ganhar simpatia.

A tristeza e a decepção só transpareceram no rosto de Júlia por um instante.

Porque seu coração já estava perfurado e esburacado; como uma ampulheta, qualquer sentimento apenas escorria pelos ferimentos.

O quarto mergulhou num silêncio profundo, deixando o ar bastante constrangedor.

Sérgio dirigiu-se a Júlia:

— Vou procurar o melhor especialista em reabilitação. Júlia...

Ele quis dizer "desculpe, eu estava muito focado no trabalho".

Mas as palavras simplesmente não saíram.

O rosto de Júlia exibia uma aversão nítida.

Além disso, ele nunca havia se rebaixado para pedir desculpas a ninguém.

Quando o celular de Júlia tocou, os dois respiraram aliviados.

Ela atendeu.

Era Vera Guedes, sua mãe. De novo, exigindo dinheiro.

E dessa vez, chorava copiosamente.

Alberto Guedes não estava doente de verdade; depois de vender a casa e ficar com as mãos cheias de dinheiro, acabou viciado em jogos de azar.

Como diz o ditado, ajuda-se numa urgência, mas não se sustenta o vício.

Ainda mais o vício de um jogador inveterado.

Júlia lançou um olhar na direção de Sérgio e o viu conversando com o médico, distraído.

Com um tom neutro, ela aconselhou:

— Mãe, se eu fosse você, iria dar uma boa verificada nos seus próprios cartões bancários e contas poupança.

Vera já estava encurralada e no limite do desespero:

— Júlia, precisa mesmo falar assim com a sua mãe? É um milhão e meio! O pessoal já apareceu lá em casa e disse que se não pagarmos a dívida, vão quebrar as pernas do seu pai!

— Você agora é a Senhora Santana, um milhão e meio pra você não faz diferença nenhuma. Salva o seu pai!

Júlia sentiu uma avalanche de sentimentos confusos.

Era verdade, mesmo a essa altura, mesmo com Alberto afundado sem salvação, ela não conseguiria simplesmente assistir os capangas baterem até deixá-lo aleijado.

Mas Júlia também sabia que, independentemente do que sentisse, não podia dar o braço a torcer para sua família.

Caso contrário, eles continuariam a agir de forma desenfreada e causariam desastres ainda maiores.

Portanto, recusou de maneira irredutível.

Vera, furiosa, esbravejou:

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