Quando Júlia retornou à mansão, o céu já havia escurecido completamente.
Sérgio olhou pela janela e observou Júlia descer do carro de outra pessoa.
Ele se recordava vividamente de que ela saíra pela manhã conduzindo o próprio veículo.
Era o de Lucas Franco.
Ele havia estacionado na entrada, desembarcado primeiro para checar e, ao notar uma poça d'água próxima, pediu que Júlia permanecesse sentada.
Em seguida, ele reposicionou o carro em um local mais favorável para a descida.
Do alto do escritório, no segundo andar, Sérgio contemplava a cena inteira.
E tudo aquilo, enquanto Dona Helena e Dona Eunice se deram ao trabalho de reservar o jantar para ela.
Afinal de contas, ela se ocupara flertando com Lucas.
Sérgio puxou a cortina e retirou-se do quarto.
Enquanto descia as escadas, deu de cara com Júlia no hall, calçando os sapatos.
Dona Helena começou a checar se ela estava bem. Ao tocarem no assunto da janta, Júlia se limitou a sorrir e afirmou que já tinha se alimentado.
— Oh, a Julinha já comeu?
Dona Eunice ficou angustiada.
— Mas o Jovem Sérgio, ele...
A voz de Sérgio irrompeu para cortá-la secamente:
— Dona Eunice.
Era exatamente isso.
Ele ainda não havia comido, mas de repente perdera todo o apetite.
Dona Eunice levou para a sala um prato recheado apenas com as frutas preferidas de Júlia.
Sérgio tomou lugar ao lado dela.
Mas ela tomou a iniciativa de se afastar.
O olhar de Sérgio endureceu; ele achou que ela estava cruzando os limites.
Durante aqueles dias, ele se mudou praticamente para o hospital. Também havia suspendido todas as horas extras e cortado seu tempo de serviço pela metade.
Entretanto, Júlia assemelhava-se a uma rocha inalcançável.
Dona Helena perguntou casualmente sobre a empresa.
Dona Helena avaliou os dois pelo canto do olho.
— Seria muito bom se a Julinha fizesse companhia a você. Você é o Presidente do Oceano, ela é sua esposa de direito; vocês poderiam aproveitar esta chance para erguer a reputação dos Santana.
O rosto de Júlia iluminou-se em confusão.
Do ponto de vista de Sérgio, ela não tinha potencial para alavancar honras e glórias. Apenas passava de mais um elemento de decoração.
— Vovó... — falou com doçura. Ela deparou-se com Sérgio, o olhar impregnado de uma sobriedade distante — O ilustre Presidente Santana sabe perfeitamente de que maneira proceder, as minhas habilidades não são condizentes.
Sérgio dedicou-lhe um instante de reflexão.
— Além do que, as minhas taxas de colaboração não são acessíveis e estou ponderando que preservar o capital da empresa seria mais inteligente.
Por outro lado, Clarice estaria a postos para dar o braço a ele e preencher o posto de acompanhante. Caso se sujeitasse àquela função, sua simples presença se transformaria numa ofensa insuportável para Sérgio, não seria verdade?
E Júlia não suportaria cruzar o caminho daquelas inconveniências, sequer dedicava disposição o bastante para se atritar por ele com a sua adversária.
Dona Helena deixou-se persuadir sem relutar. Resmungou num som agudo de diversão, puxando Júlia.
— Entendi... que as baratas do bolso dele cuidem do resto.
A barata morta dona de um patrimônio avaliado em dez bilhões emudeceu. "......"
— Agora tem outra questão que preciso que você esclareça. — Dona Helena tomou um aspecto sério. — O prestígio do Oceano sobrepõe-se a tudo. Convém a você que mantenha a debilidade das intenções de menininhas do tipo de Clarice o mais afastada possível.

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