— Como ainda está cedo, deixe que Sérgio leve você.
Desta vez, Sérgio foi muito rápido em recusar:
— Vovó, eu não tenho tempo hoje.
Dona Helena lhe lançou um olhar irritado:
— O que há de tão importante? A empresa por acaso para de funcionar se você não estiver lá?
Sérgio deu uma olhada em Júlia e não respondeu.
Júlia dirigiu sozinha até a Império Mídia.
Ela entrou em sua sala e, logo depois, Lucas Franco apareceu na porta.
Ele encostou-se no batente. Sua postura não era rígida e formal como a de Sérgio, mas também não beirava o relaxo.
Transmitia, em vez disso, um ar inesperadamente descontraído.
— Se eu quiser discutir sobre o projeto agora, seria muita insensibilidade da minha parte?
Júlia, claro, não se importava.
As gravações da série para a qual ela havia feito o teste só começariam em seis meses, então ela estava livre no momento.
— É sobre o Resort Turístico Cinematográfico que fechamos da última vez. Você sabe, a propriedade intelectual é nossa, mas precisamos encontrar parceiros para o planejamento e a execução.
O celular de Júlia vibrou com uma mensagem.
Era Patrícia Prado.
Ela lhe enviara uma selfie que Clarice havia postado.
Na foto, Clarice estava no banco de um carro, exibindo um sorriso largo, acompanhada da legenda: "Finalmente tive alta! Obrigada por sempre estar ao meu lado. Ter você aqui é tão bom ~"
Júlia reconheceu no mesmo instante que o carro era de Sérgio.
Não era à toa que ele negara o pedido com tanta rapidez naquela manhã.
O estado de espírito de Júlia tornou-se igual a uma infinita temporada de chuvas.
Era aquela garoa fina e constante que, embora não impedisse ninguém de sair, causava um tremendo desconforto.
Era como ficar trancada em um quarto que cheirava a mofo, vestindo tecidos tão encharcados que pareciam derramar água se espremidos.
Uma aflição profunda.
Enquanto isso, Sérgio levou Clarice de volta ao apartamento.
Ao descer, ele a amparou. Devido à lesão no ombro, ela se movia devagar, transparecendo bastante fragilidade.
Sérgio manteve os dedos no lugar, sentindo ainda a dependência que Clarice tinha dele.
Aquilo era algo com que ele se habituara desde a infância.
Ele estava acostumado a bancar o forte só porque havia uma menininha frágil no seu encalço, mesmo quando o fardo já passava de seu limite.
Por causa disso, até diante das severas punições de seu pai, ele acreditava que com certeza suportaria.
Marlene mal tinha terminado de arrumar a sala quando escutou a campainha. Ao ver Sérgio carregando as bagagens, sua expressão irrompeu em alívio:

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