— Chamei você para me ajudar a negociar uma parceria, não para dar em cima de ninguém — disse Sérgio, lançando um olhar indiferente para Tiago Cavalcante.
Tiago deu meio passo para trás.
Que coisa estranha. Desde quando Sérgio se intrometia em sua vida pessoal?
A tal parceria não era justamente sobre o Resort Turístico Cinematográfico? A Império Mídia já havia garantido o controle da propriedade intelectual há muito tempo.
O que mais havia para negociar?
O olhar de Tiago oscilava entre Júlia e Sérgio.
— Vocês se conhecem bem?
Sérgio desabotoou o paletó e o abotoou novamente.
Às vezes, Tiago parecia um jovem impulsivo; outras vezes, assemelhava-se a um velho médico tradicional mestre em acupuntura.
Bastava uma única agulhada casual para atingir em cheio o ponto exato que eles tentavam esconder.
Dizer que eram casados?
Havia gente demais ali, não seria apropriado.
Dizer que eram estranhos?
Mas eles já viviam sob o mesmo teto e compartilhavam os laços de um casamento de três anos.
No momento em que a atmosfera pareceu estagnar, Júlia quebrou o silêncio.
— Diretor Cavalcante, o Diretor Santana é meu antigo chefe, já tivemos algumas interações profissionais no passado — disse ela, com um tom de voz apático, como se descrevesse algo de pouca importância.
Ao dizer aquelas palavras, Júlia parecia renegar aquela versão de si mesma que um dia fora tão cheia de alegria e que havia se entregado sem reservas.
— Vamos trocar contatos? — sugeriu Tiago, parecendo aliviado, enquanto balançava o celular.
O semblante de Sérgio escureceu ainda mais.
Júlia não percebeu, apenas adicionou Tiago. Sendo todos da mesma indústria, era sempre preferível ter um amigo a mais do que um inimigo.
No meio do coquetel, as coisas naturalmente já não se resumiam apenas a colocar o papo em dia.
— Sr. Luciano, não a deixe em uma saia justa! — interveio Clarice, cobrindo a boca enquanto ria levemente. — A Júlia é atriz, ganha a vida com sua beleza e talento na atuação, não é uma grande magnata da indústria como o senhor. É perfeitamente normal que ela não compreenda esses jargões técnicos do projeto. Que tal mudarmos de assunto para evitar que ela fique constrangida?
Sérgio, presumindo naturalmente que ela não entenderia, já havia começado a desviar a conversa por conta própria.
— A Clarice e o Sérgio conhecem o meu temperamento — disse o Sr. Lima, após trocar algumas palavras com Sérgio, recusando-se a deixar Júlia em paz. — Senhorita Guedes, não é minha intenção dificultar as coisas para você, mas este projeto é de suma importância e envolve investimentos na casa dos milhões.
— Atuar requer emoção e um rosto bonito, mas fechar negócios exige conhecimento técnico e visão apurada — continuou ele com um sorriso irônico.
Como Luciano Lima se orgulhava de ser como unha e carne com a família Cardoso e era um velho conhecido de Sérgio, naturalmente estava a par do incidente em que ela havia roubado a proposta.
Tiago também lançou um olhar constrangido para Júlia.
— Sr. Lima, me faça esse favor... — pediu Sérgio, pegando a taça vazia das mãos de Luciano e depositando-a na bandeja de um garçom.
Ele queria tirar Júlia daquela situação embaraçosa.
— Sr. Lima — cortou Júlia, interrompendo-o de forma inesperada.
— De fato, não compreendo esses termos que mencionou — disse ela com um sorriso tranquilo. — Mas a Império Mídia é uma empresa de entretenimento e, acima de tudo, a idealizadora deste projeto.

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