Júlia tinha o costume de chegar aos compromissos de trabalho com antecedência.
Por conta disso, o painel de assinaturas ainda estava praticamente vazio.
Como um dos investidores, o Sr. Leon sequer precisou assinar o painel.
Ele já sabia através de Luciano Lima que Lucas Franco estava muito ocupado e não compareceria ao banquete.
Assim, providenciou intencionalmente para que o convite fosse entregue a Júlia através da recepção da Império Mídia.
Como não havia jantado, Júlia tomou apenas uma taça de champanhe e, sentada em um canto, começou a sentir sono.
A princípio, ela não pensou que algo estivesse errado e apenas se permitiu descansar um pouco.
Afinal, o evento principal ainda não começara.
Até que uma silhueta embaçada surgiu à sua frente, trazendo consigo aquele detestável cheiro de perfume masculino.
O homem sentou-se, fazendo o sofá afundar, e forçou uma voz arrastada:
— Senhorita Júlia, você bebeu demais. Venha comigo para o andar de cima descansar um pouco.
Alarmes de perigo soaram na cabeça de Júlia.
Ela tentou empurrá-lo com força e dizer 'Estou bem, não preciso de ajuda'.
Mas, na verdade, sua força era menor que a de um gato.
Júlia sentiu suas pálpebras tão pesadas como se tivessem ímãs. A sensação de embriaguez a dominou e ela começou a perder os sentidos.
A porta do quarto foi aberta por um cartão.
Ouviu-se o 'bipe'.
Ela foi empurrada para dentro aos trancos.
Júlia recuperou a consciência por um momento, percebendo que não estava bêbada, mas extremamente sonolenta.
Seus membros, fracos, pareciam amarrados por cordas invisíveis.
Ela começou a se debater violentamente:
— Me solte... não tem medo de ofender os organizadores?
Ao abrir a boca, percebeu que sua voz estava embargada.
Com cada palavra, as têmporas pulsavam.
O Sr. Leon, então, deixou cair as máscaras, agarrando seus ombros e cintura com força descomunal.
Ela tentou instigar:
— Deveríamos procurá-la?
Clarice estava remoendo a ocasião em que Júlia a havia enxotado da mansão.
A perspectiva de vê-la furiosa ou abatida seria incrivelmente aprazível.
Sérgio não disse uma única palavra.
Sua impressão de Lucas Franco não era boa, mormente no que tangia ao cuidado dele por Júlia, o qual aparentava superar os limites da amizade.
E Júlia, convenientemente ignorando esse fato, portava-se como se nem fosse casada.
Ela sequer se dava ao trabalho de ocultar certas transgressões menores.
Ele rodou o relógio no pulso e disse com voz gélida:
— Não, a deixe em paz.
Os dois foram acompanhados por um dos recepcionistas.
— O evento principiará em vinte minutos. Por enquanto, os senhores podem desfrutar dos petiscos na área de buffet. E para satisfazer as necessidades de nossos clientes mais seletos, preparamos, inclusive, salões privados de descanso VIP. — disse o homem.

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