Clarice entrou no quarto do Sr. Leon.
O ambiente estava escuro, impregnado por um forte cheiro de vinho tinto, e não havia sinal de mais ninguém.
Ela se deu conta da situação num instante, mas já era tarde para fugir.
O isolamento acústico do quarto era excelente. Ela se debateu, chorou, mas, para um homem adulto com a cabeça cheia de sujeira, isso serviu apenas para aumentar sua excitação.
Clarice não se lembrava de como havia conseguido suportar.
No final, sua mente estava em completo branco.
Cabelos grudados no rosto e nem tentou ajeitá-los.
Finalmente, o homem partiu.
Antes de sair, deixou um cartão para Clarice:
— Ainda vou trabalhar no país por um tempo. Nesses próximos dez dias ou mais, você pode me procurar a qualquer hora.
A voz e a expressão do homem transbordavam satisfação e malícia.
Asqueroso.
Clarice ficou deitada na cama por um longo tempo, deixando as lágrimas escorrerem dos cantos dos olhos.
Quando saiu do banho e abriu a porta mancando, viu que a porta do quarto de Sérgio também se abrira.
Júlia saiu de lá, com um casaco por cima dos ombros, e foi embora rapidamente.
Clarice fuzilou-a com o olhar, cravando as unhas na fresta da porta.
Então a pessoa que havia trancado a porta na noite passada, levando-a à ruína, fora aquela maldita da Júlia.
Junto com esse pensamento, emergiu uma vergonha e humilhação que penetraram até os ossos.
Toda sua astúcia dera em nada.
E ainda deixou a vantagem cair no colo de Júlia.
Os lábios de Clarice tremiam, como se ela tivesse sido atirada num forno para assar lentamente.
A figura de Júlia desapareceu completamente no fim do corredor.
Clarice usou o cartão-chave e entrou.
Como era de se esperar.
Ali ocorrera, de fato, o que ela mais desejava.
Sem hesitar, deitou-se na cama, fechou os olhos e desgrenhou os cabelos e as roupas.
Vendo que Sérgio não reagia, moveu-se com cuidado para os braços dele.
Quando os braços e o calor do corpo do homem a envolveram, Clarice finalmente respirou aliviada.
Sérgio abriu os olhos, quase desmaiando novamente por causa de uma forte dor de cabeça.
Ele massageou as têmporas com a base das mãos.
Parecia ter sofrido um apagão no dia anterior.
Surgiu um leve cheiro de perfume feminino.
Sérgio franziu o cenho, apoiou o corpo e sentiu alguém ao seu lado.
Dizendo isso, fez beicinho.
— Quando voltei, dei de cara com a Júlia colocando algo no seu copo. Quando me viu, fugiu em pânico e, depois...
A voz de Clarice embargou, e ela mordeu o lábio com força:
— E depois, você me...
Ao ouvir isso, Sérgio ficou completamente incrédulo.
A razão de Sérgio esteve perto de virar cinzas ao escutar aquilo.
Mas parando para pensar, Júlia não havia recebido o convite dele. Como ela poderia saber com tantos detalhes sobre o que ia acontecer?
Ao proferir essas palavras, Clarice apertou o edredom com os dedos delicados, parecendo mortificada ao falar e sentindo-se extremamente injustiçada.
Sérgio percebeu as marcas em seus pulsos e os hematomas em seus ombros.
Se as alegações dela não fossem fatos, como poderiam as próprias feridas que serviam de provas se encaixar na história de forma tão precisa?
Ele apalpou a roupa à procura do celular.
O corpo de Clarice e o tom de sua voz começaram a tremer incontrolavelmente:
— Sérgio, mesmo que tente tirar a limpo com a Júlia agora, ela nunca admitiria a verdade.
Como ele pensou, a ligação tocou, mas sem qualquer resposta do outro lado.
Clarice aparentou extrema dor em seu semblante:
— Se não confia em minha palavra, eu arrasto o garçom que me acompanhou até aqui; ele será a prova cabal.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!