Sérgio rangeu os dentes ao ouvir aquilo: — Júlia!
Ele sempre escondia suas emoções.
Mas agora, o rosto estava cheio de irritação.
A mente de Sérgio estava uma bagunça.
Como ele pôde ter relações com Clarice sem estar lúcido?
Não era algo trivial, tinha que assumir a responsabilidade.
E Júlia?
Ela estava tão necessitada assim?
Ah, não só isso, ela era esposa dele.
Júlia fazia questão de levar a situação a um divórcio?
Mas... o custo do divórcio era alto demais, poderia ser cavado pela mídia.
Ela também poderia fazer várias exigências.
Junto com advogados, relações públicas, anulação de acordos, tudo tinha que ser considerado.
Sérgio dizia isso para si mesmo.
Mas se isso foi realmente feito por Júlia, o que ele deveria fazer?
Ele não podia simplesmente dizer à Clarice: desculpe, foram nossos problemas conjugais que te envolveram.
Várias emoções espetavam o coração de Sérgio densamente como agulhas.
Clarice viu as emoções no rosto de Sérgio e sentiu orgulho no coração.
Queria ver se Júlia ainda conseguiria se manter arrogante.
— Sérgio, não precisa ficar triste.
Clarice respirou fundo, como se tomasse uma decisão, e segurou a mão de Sérgio: — Não vou contar isso para mais ninguém, não vou pedir que você assuma a responsabilidade, e muito menos destruirei o seu relacionamento com a Júlia.
O corpo de Sérgio enrijeceu levemente.
Fazer e não assumir não era o seu estilo de agir.
Ao ver Clarice cheia de ferimentos, uma profunda culpa surgiu em seu coração.
— Deixe-me pensar, Clarice, se isso tem algo a ver com a Júlia, eu, e também a Júlia, te daremos uma explicação.
Os olhos de Clarice pareceram brilhar por um instante.
Ao olhar, havia surpresa e medo.
Seus olhos eram muito brilhantes, como se tivessem incrustado todas as luzes da sala.
Após Júlia deixar o hotel, ela não voltou imediatamente para a mansão antiga.
Sua mente estava um caos.
A ideia de divórcio e o que aconteceu na noite passada pareciam presas em duas patas de gato.
Elas corriam soltas pela casa.
Finalmente enroscando tudo ainda mais.
Sérgio bateu na porta do quarto ao lado e descobriu que ela não estava.
Dona Eunice gritou do andar de baixo: — A senhora viajou a trabalho.
Viajou a trabalho?
Depois de fazer uma coisa dessas, ela ainda tinha disposição para viajar...
Sérgio não queria duvidar de Júlia levianamente.
Afinal, na noite passada, ele foi quem se sentiu mal primeiro e depois foi alugar um quarto para descansar.
Naquela hora, quem estava ao seu lado era Clarice, não Júlia.
Mas era inegável que Júlia tinha tido oportunidade e motivação para fazer aquilo.
Além disso, embora a memória de Sérgio estivesse embaçada, ele sentia que a tinha visto de relance.
Com a personalidade dela, se algo realmente tivesse acontecido.
Como ela escolheria abafar o caso?
Ela com certeza diria alegremente à velha senhora que ela teria um neto em seus braços, não é?
Sérgio deu um sorriso frio e ligou a luz.
O quarto, por outro lado, estava muito limpo e não havia muitos itens pessoais de Júlia.
Havia apenas algo parecido com um calendário a mais na mesa.
Com o número 23 escrito, podendo ser arrancado para baixo, quem sabe o que era aquilo.

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