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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 160

Júlia, ainda segurando o chuveirinho, trocou um olhar longo e silencioso com Sérgio.

Segundos depois, a ponta de suas orelhas começou a queimar.

Por mais habilidosa que fosse com as pessoas, não tinha a menor ideia de como consertar aquela saia justa.

Sérgio tentou, desesperadamente, manter a pose elegante e digna, mas a bendita florzinha cintilante pulou animadamente duas vezes, destruindo qualquer tentativa.

Inspirando profundamente, ele declarou:

— Já está bom. Daqui em diante, eu consigo sozinho.

Um misto de constrangimento e vontade de rir engoliu Júlia. Ela jogou uma toalha seca ao lado dele e tratou de sair depressa.

E atirou-se no colchão.

Que dia mais exaustivo.

Tencionava esperar para checar se ele não havia molhado os curativos,

Mas o cansaço foi tamanho que, assim que fechou os olhos, apagou.

Na manhã seguinte, despertou sentindo-se como quem se recupera de um porre da noite anterior. Sinal claro de que tinha adormecido profundamente.

Tentou mover os braços, mas descobriu-se completamente paralisada.

O corpo de Júlia estava prensado contra o de Sérgio; ele a abraçava feito um travesseiro de corpo gigante.

A respiração quente e pausada do homem roçava-lhe o pescoço.

Júlia levou um instante para raciocinar.

Eram poucos os episódios em todos aqueles anos nos quais dividiram a mesma cama.

Mesmo quando visitavam a avó na casa da família e o teatro era necessário, Sérgio se controlava ao extremo, sempre mantendo a distância.

Em outros tempos, ela costumava sonhar com a sua versão de vida a dois ideal.

Uma casa aconchegante, um gatinho ou cachorro para chamar de seu e, mais tarde, os filhos correndo pela sala.

E poder acordar nos raios calmos da manhã, abraçados, compartilhando o calor de seus corpos.

Depois de se levantar, tomar um café da manhã talvez modesto, porém feito com amor.

Era a visão que resumia toda a sua ideia de felicidade.

Infelizmente, Sérgio parecia um professor rigoroso demais, riscando e anulando cada pequena expectativa da sua prova.

Ela piscou algumas vezes, esboçando um sorriso melancólico.

E tratou de lutar silenciosamente contra o aperto dele, para conseguir levantar.

Era uma briga difícil; ela se sentia como um diamante firmemente espremido dentro da estrutura de um anel de noivado.

Tentou e forçou até acabar exausta, soltando os braços e caindo de volta contra o peito dele.

Então, um som rouco e abafado lhe chamou a atenção.

Um riso contido, de apenas um segundo.

A ficha de Júlia caiu de imediato:

— Sérgio!

Para um CEO indiferente e distante como ele, sorrir era como um golpe especial que demorava para carregar.

O momento passara; a expressão fria já havia retornado ao rosto dele.

Ele soltou os braços e deitou-se de costas, completamente esparramado na cama.

Júlia saltou de supetão para cima do colchão e o fuzilou com o olhar.

Fingindo dormir, quando já estava mais do que acordado!

Num ímpeto de revolta, deu-lhe um pequeno chute.

Quando Sérgio abriu a porta do banheiro, Júlia já se arrumara para o trabalho.

— Aonde vai?

— Para a empresa.

A feição de Sérgio desabou no mesmo instante:

— Lucas Franco está lá?

— É claro, ele é o maior acionista.

Sérgio fechou a boca por uma fração de segundo. Um impulso cego de dizer qualquer coisa surgiu, e ele perguntou:

— E aquele parceiro de negócios sobre o qual te pedi para sondar? Como estão as coisas com ele?

— Hmm... — Júlia havia se esquecido totalmente do assunto.

— Chegou a entregar o meu cartão de visitas?

Ela tombou a cabeça por um momento e concluiu que sua resposta não seria, tecnicamente, uma mentira:

— Sim.

Afinal, o próprio presidente Sérgio Santana havia entregue o cartão diretamente.

Sérgio insistiu:

— Mas o sujeito ainda não me ligou de volta.

Júlia não fazia a mínima ideia do que ele estava tentando fazer.

Seria alguma vingança infantil por ter deixado vazar as propostas de contrato da vez anterior?

Pelo que conhecia dele, ele não tinha uma mentalidade mesquinha a esse nível.

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