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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 164

Sérgio não foi para a empresa hoje; dispensara o motorista logo de manhã.

Ele mesmo dirigiu até o hospital.

Marlene Martins estava sentada ao lado do leito de Clarice, acariciando gentilmente a mão da filha.

Ao ver Sérgio, disse friamente:

— Vejo que o Diretor Santana chegou.

Clarice estava tão pálida quanto os lençóis de sua cama.

Sua voz também soava extremamente fraca.

Ela deu um leve puxão em Marlene:

— Mãe, não fale com o Sérgio desse jeito. A culpa foi toda minha.

Lágrimas acumularam-se nos olhos da moça.

Sérgio estava com o aspecto desgastado da viagem; sequer havia abotoado o paletó.

Ele temia profundamente que Clarice cometesse alguma loucura irreparável devido àquela situação.

Ao ver que ela estava bem, soltou o ar preso nos pulmões, como se finalmente pudesse voltar a respirar após muito tempo.

Sérgio aproximou-se e, contendo o tom de repreensão, perguntou da forma mais gentil possível:

— Como você foi capaz de fazer algo tão perigoso?

Marlene aproveitou para intervir:

— Exatamente. A mamãe sabe que a honra de uma garota é a coisa mais importante do mundo, mas mesmo que tenha acontecido... aquele tipo de intimidade, você não devia tentar suicídio!

A respiração de Sérgio travou por um instante.

Clarice balançou a cabeça rapidamente:

— Não é isso, Sérgio. Por favor, não se culpe. Eu só tomei alguns comprimidos porque não conseguia dormir e estava me sentindo muito angustiada.

Ao ver os olhos vermelhos da jovem e escutá-la assumir repetidamente a culpa, Sérgio sentiu-se profundamente incomodado.

Não apenas por Clarice, mas por si mesmo e por Júlia.

Era uma sensação parecida com a que sentira na infância, quando roubara um doce deixado pelos pais na mesa, o qual alegavam ser apenas para adultos.

No final, o sabor revelara-se amargo.

Ele havia jogado o doce no lixo e ainda assim levara uma surra.

Foi literalmente dar um tiro no próprio pé sem ganhar absolutamente nada com isso.

Marlene queria dizer mais algumas palavras a Sérgio, mas, como o médico responsável chamava os familiares, não teve escolha senão se afastar.

Entretanto, assim que ela levantou-se da cadeira, Clarice pulou como se tivesse ressuscitado, agarrando-se a ela desesperadamente.

A jovem, em aparente pânico, balançava a cabeça sem parar:

— Mãe, não me deixe sozinha! Por favor, não vá!

Com o coração apertado, Marlene inclinou-se e deu tapinhas em seu ombro:

— Eu não vou atrapalhar você e a Júlia.

A moça lançou um olhar digno de pena a Sérgio:

— Por favor.

Quando Marlene retornou, deparou-se com Clarice meio ajoelhada na cama, suplicando a Sérgio que não a forçasse a interromper a gravidez.

Sem hesitar, ela marchou até eles e empurrou Sérgio abruptamente.

— Diretor Santana, a nossa Clarinha é uma moça de família decente, não é como aquelas filhas de viciados e pessoas arruinadas.

— Você pode até se recusar a assumir o seu próprio sangue, mas a nossa família Cardoso vai assumir.

Ao presenciarem a cena, médicos e enfermeiras encararam Sérgio de soslaio.

Como se ele fosse o pior dos cafajestes irresponsáveis.

Ouvir aquelas palavras de Marlene desagradou imensamente a Sérgio, mas ele sabia que não tinha posição para recriminar ninguém no momento.

— Sra. Cardoso, eu virei visitar a Clarice regularmente. Se, no futuro, ela... e a criança precisarem de qualquer coisa, podem me procurar a qualquer hora.

No entanto, além disso, não podia prometer mais nada.

A fúria desenhou-se no rosto de Marlene, mas Clarice a segurou.

— Mamãe, o fato de o Sérgio ter dito isso já é ótimo, não o pressione mais.

Ver tanta sensatez por parte dela encheu o peito de Sérgio de remorso.

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