— Júlia, acorde...
Ela ouvia alguém chamando por seu nome, mas não conseguia abrir os olhos.
Deitada na cama, Júlia sentia como se tivesse afundado num pântano, com os quatro membros paralisados.
Com os lábios entreabertos, ela ofegava levemente.
Sérgio estava com a testa profundamente franzida. Ao verificar a temperatura dela com as costas da mão, percebeu que ela queimava em febre.
— Levante-se, tome o remédio.
Júlia escutou o zumbido de alguém tagarelando em seu ouvido.
Infelizmente, com a febre alta, era como se sua cabeça estivesse dentro de um saco plástico enquanto tentava ouvir.
Ela se encolheu na cama, e seus dentes batiam de leve.
Também teve um sonho longo, que misturava fragmentos da sua infância, a primeira vez que viu Sérgio e muitas outras coisas.
Com os olhos fechados, Júlia continuava a se recusar a abrir a boca, e logo começou a chorar.
Ela sequer tinha consciência de que estava chorando.
Apenas se sentia péssima fisicamente, misturado com uma amargura no peito, o que fez suas glândulas lacrimais agirem sozinhas.
A pessoa ao seu lado pareceu suspirar.
— Por que está chorando?
Sérgio limpou suavemente as lágrimas no rosto de Júlia com a ponta dos dedos.
Seu coração formigava como se estivesse infestado por um formigueiro.
Na escuridão, alguém deu remédio e água para Júlia.
Mas ela ainda sentia ondas de calafrios e calor.
O corpo estava gelado, enquanto o rosto parecia estar pegando fogo.
Então, alguém começou a enxugar o seu corpo.
Toalhas frias e reconfortantes repousavam sobre a sua testa e pescoço, atraindo-a para buscar aquele frescor.
Ainda grogue, Júlia pensou vagamente que aquilo parecia coisa de Sérgio.
O corpo dele também era rígido e frio como uma enorme pedra de gelo.
Observando o estado de Júlia, Sérgio começou a refletir se não havia sido muito duro em suas palavras.
Como no mundo podia existir uma ocupação tão difícil de lidar quanto a de esposa?
Não podia criticar, não podia repreender, muito menos gerenciar como fazia com seus funcionários. E, para piorar, havia tantas exigências.
Sérgio não pregou o olho a noite inteira e, no dia seguinte, ainda precisaria ir trabalhar normalmente.
Como a história era sobre uma mãe com uma doença grave e uma criança com necessidades especiais, e Júlia não tinha filhos, ela precisaria encontrar outras fontes de inspiração.
Patrícia também mandou uma mensagem: [Marquei uma conversa para você com a diretora de uma instituição para crianças com necessidades especiais, você pode ir lá aprender e fazer perguntas. Ah, e o diretor pediu para você observar mais as alas de maternidade nos hospitais.]
Júlia, é claro, concordou prontamente.
Ela passou o dia inteiro lendo o roteiro, e ao checar a temperatura de novo à tarde, a febre já havia cedido completamente.
Pensando que seu foco de trabalho mudaria em breve, Júlia decidiu separar um dia inteiro para delegar as tarefas de seus projetos.
Quando Sérgio soube disso, surpreendentemente, se ofereceu para levá-la.
Aquilo era um evento inédito.
Júlia disse:
— Não precisa, o motorista tirou folga hoje, eu mesma dirijo.
Dona Helena, notando que Júlia mal havia tocado no café da manhã, sentiu pena:
— Você emagreceu tanto ultimamente, deixe que ele te leve, não se desgaste tanto.
Ao ver o sorriso gentil da senhora, Júlia não conseguiu encontrar palavras para recusar.
Além do mais, ela também já havia preparado o cartão com os cinco milhões para devolver a Sérgio.
Como o filho do motorista tinha reunião de pais naquele dia, Sérgio dirigiu ele mesmo.

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