Osvaldo estava ali perto e, escutando a conversa das duas, abriu a boca para ditar seus pedidos:
— Prepare aquele Lagosta à Thermidor, é muito chique, e também a carne de porco caramelizada, traz sorte, fica lindo.
Ele pensou um pouco:
— Um prato duplo de carnes ao molho especial, ou então pombinho assado também serve, mas o peixe no vapor não pode faltar.
Terminando a lista, Osvaldo disse com um sorriso no rosto:
— Cunhada, o meu irmão e a vovó sempre dizem que você é prendada. Você não pode preparar uma comida inferior à de restaurante, senão fará a família Santana passar vergonha.
Júlia o fitou com frieza.
Osvaldo era três anos mais novo do que Sérgio e, diga-se de passagem, iria se casar com a mesma idade que seu irmão quando o fez.
Alguém com vinte e cinco anos nas costas, e não entendia bulhufas da vida.
Porém, isso era típico do lado deles da família.
Desde que Júlia se casara com um Santana, ela vinha sendo tratada como criada pela família de Simone.
Como se ela não tivesse vindo para ser a Sra. Santana, mas sim uma babá e uma assistente.
Sérgio não tinha uma boa relação com eles, mas ainda era preciso manter as aparências. Por isso, Júlia, no passado, evitava bater boca com aquela mãe e filho.
Ela sempre os rebateu de leve.
E, de vez em quando, em algumas coisinhas bestas, como ligar para uma marca e conseguir um cartão VIP de luxo para a empresa, ela ajudava, pois não custava quase nada.
Agora, veja só!
Queriam transformá-la na cozinheira do casamento.
— Tá bom. — disse Júlia.
Ela sorriu.
Simone e o seu filhão bateram cabeças satisfeitos, sem perceberem nada de errado.
Afinal de contas, na concepção deles, Júlia era uma pessoa que podiam moldar a seu bel-prazer.
Eles sequer duvidaram de sua capacidade.
Porque, na visão de todos, assim que Júlia dizia sim, não havia nada que ela não pudesse resolver.
Isso era um fato atestado inúmeras vezes no passado.
Ao checar todo o programa do evento, Júlia se aprontou para ir.
Assim que passou pela porta, uma voz a chamou.
— Sra. Júlia... ou melhor, Júlia.
A garota abriu um sorriso doce, parecendo muito recatada:
— Esta é a caixa de presentes que organizamos para o meu casamento com o Osvaldo.
Devia ser a noiva.


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