Aquilo seria bem difícil de aturar.
Júlia agradeceu pelo presente da noiva e, ao abri-lo, viu que era um kit com perfume e batom.
Definitivamente, não era um presentinho superficial pensado para as mais velhas da família.
Mas sim um presente feito sob medida que a noiva daria para suas damas de honra; dava para notar o capricho envolvido.
Júlia refletiu um pouco e depois ligou para um chefe de cozinha conhecido.
Ao chegar, ela viu que Sérgio já estava em casa.
Durante os dias de folga, ele normalmente ia ao campo de golfe ou a reuniões e jantares de negócios.
Ao ser informado das exigências da Tia Simone, ele franziu a testa:
— Se você não quer, é só dizer.
A esposa que ele escolheu não tinha a obrigação de servir aos caprichos de sua tia.
Júlia se sentiu mais confortável depois de ouvi-lo falar isso.
Vendo-o tirar o paletó, ela saiu do caminho para não atrapalhá-lo ao cabideiro.
Ao chacoalhar o paletó, uma folha de papel caiu da roupa.
Acreditando ser algum formulário de despesa ou algo parecido, Júlia foi pegar o papel.
Porém, ao abaixar-se, Sérgio colocou o pé sobre o papel com rapidez.
Júlia: ?
O que era aquele papel?
Sem expressar nenhuma emoção, Sérgio guardou o papel de volta na roupa.
Júlia não se incomodou com a atitude, afinal de contas, Sérgio nunca tinha sido sorrateiro nas coisas que fazia.
Mesmo que a situação se tornasse incômoda, ele se faria de rogado, afinal não teria peso na consciência.
Ela lançou um olhar para o papel e, ainda mantendo o tema anterior, soltou a pergunta:
— Eu já aceitei; e se der errado?
Sérgio estava meio desligado:
— Dar errado o quê?
Depois, compreendeu o contexto:
— Ah. Bom, o casamento não é meu mesmo.
Nesse exato instante, os dois suspiraram pesadamente.
A fala de Sérgio foi impensada.
Júlia escutou àquela postura soberba e não esquentou a cabeça.
Ela apenas aguardaria a alegria dela permanecer intacta quando, de fato, ela pisasse no local da festa.
Claro que ela não ia estragar o banquete da sua pequena fã.
A grande condição seria se o bom senso da Tia Simone provasse que sobreviveria à provação.
Do contrário, a ocasião poderia, de quebra, fazer com que a noiva e sua família passassem a reconsiderar as propostas do casamento, e o valor de sua querida filhinha a uma parentela igual àquela.
A noiva e os familiares de Osvaldo foram os primeiros a chegar no lugar.
Em seguida, foram as duas partes da união e o pessoal de apoio para ajudarem nos serviços.
O próximo rosto a aparecer, em atraso, fora o de Clarice e o seu ar juvenil proveniente daquele longo vestido.
Júlia fitou aquela aparição e percebeu que ela tinha chegado ao lado de Sérgio.
— Ai nossa, como foi que eu ainda não vi a Júlia?
Ela instigou Sérgio, o direcionando para as instalações da frente, encontrando, para sua providência, Júlia saindo pelas portas dos fundos.
Clarice tampou o nariz com os dedos e fez caretas propositalmente:
— Ui... Que cheiro forte de fritura, está me dando até repulsa, me deixando enojada.

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