Ela virou a cabeça e viu Sérgio encostado atrás de Dona Helena.
— O que significa isso? Ela pediu para você cozinhar?
Júlia inicialmente não queria dar atenção, mas ao ver o olhar ressentido de Clarice mordendo o lábio, mudou de ideia.
Por que era sempre ela que tinha que aguentar calada?
Júlia também inclinou a cabeça para trás.
— Diretor Santana, o jeito que eles me tratam não é resultado da sua permissão silenciosa?
Sérgio ficou completamente confuso.
Quando foi que ele permitiu silenciosamente tal coisa?
O grande CEO nunca imaginara que sua atitude de ignorar e não assumi-la publicamente serviria de modelo para os outros copiarem.
Júlia se humilhava e engolia sapos por Sérgio.
Por que não faria o mesmo com os outros mais velhos da família Santana?
Ele também nunca havia pensado que, na posição de Júlia, contanto que ele não abrisse a boca para defendê-la, ela teria que continuar fingindo que estava tudo bem.
Assim como em milhares de outras famílias.
Por trás de todo problema entre sogra e nora, há sempre um marido omisso.
Sérgio tocou novamente na mão de Júlia, mas desta vez não disse nada.
Os dois sussurraram por um momento e logo voltaram às suas posições originais.
Rapidamente, Sérgio passou seu paletó por trás de sua cadeira e o colocou sobre o encosto da cadeira de Júlia.
A idosa abriu um sorriso largo, rindo de orelha a orelha.
A comida foi servida.
Sopa de costela com milho e cogumelos porcini, servida em porções individuais; havia apenas três tigelas.
Colocadas na frente de Dona Helena, Sérgio e Júlia.
Caranguejos marinados em vinho, arranjados em pequenos pratos de cristal.
Tofu ao molho de caranguejo, ensopado de cogumelos com verduras frescas da estação.
E muitos outros pratos requintados e belos.
Sem exceção, todos em porções individuais.
A expressão de Simone congelou.
Logo, quebrou-se por completo.
— Cadê a minha comida?
Onde está a minha travessa enorme de comida?!
E as coisas que dizia também soavam muito estranhas.
— Júlia, este é o banquete de noivado do Osvaldo! Se você não queria ajudar direito como cunhada, tudo bem, mas fazer corpo mole de propósito!
Clarice fingiu uma expressão de consternação:
— É verdade; melhor derrubar dez templos do que arruinar um casamento. Será que isso não atrai o castigo divino?
Sérgio lançou um olhar cortante para Clarice.
Ela imediatamente mordeu o lábio e calou-se.
Osvaldo, ao ver que a comida na mesa não era o que ele havia pedido, desfez a expressão na hora.
— Mamãe, eu quero o Buda Pulando o Muro, quero a carne de porco da sorte, quero pombinho!
Sérgio, de imediato, bateu a taça de vinho com força na mesa e disse com frieza:
— Fale direito com a sua cunhada! Você veio depois de mamar hoje de manhã?
Ele zombava do fato de Osvaldo ser um filhinho de mamãe.
Osvaldo não se atrevia a provocar Sérgio e logo resmungou ofendido:
— M-a-a-a-a-ãe!
— Muito bem, vocês dois, marido e mulher, estão armando um teatro para me dar o bote, é? Era só o que faltava! Ai, meu pobre Oswaldinho!

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