Entrar Via

Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 178

Júlia usava uma calça de caimento impecável naquele dia, combinada com sapatos de salto grosso e bico fino.

A blusa curta, com amarração no pescoço, deixava apenas a largura de um dedo de pele à mostra entre a cintura e a calça.

Seu cabelo estava preso em um coque, com a franja solta de forma despretensiosa.

A proporção perfeita de seu corpo, os ombros incrivelmente bem definidos e a maquiagem impecável que exalava elegância conferiam a ela uma beleza que era, ao mesmo tempo, sofisticada e natural.

Embora tivesse se arrumado sem grandes pretensões, as pessoas que passavam não conseguiam evitar virar a cabeça para admirá-la.

Clarice começou a ter pequenos engulhos.

Quem visse a cena de fora até acharia que Júlia tinha acabado de sair do banheiro.

Júlia olhou friamente para Sérgio.

— Clarice não tem se sentido bem ultimamente... — disse Sérgio, apertando os lábios.

A entrelinha era clara: Júlia deveria ser mais compreensiva.

Júlia estava sendo tratada como se fosse repulsiva, e ainda esperavam que fosse magnânima.

— Se não está bem, não deveria sair de casa para se exibir.

Ela respondeu com um tom indiferente.

No segundo seguinte, Sérgio estendeu a mão e roçou levemente as costas da mão de Júlia.

Percebeu que estava gelada.

Um coquetel no jardim, com o pôr do sol, o céu alaranjado e a brisa suave.

Era romântico, sem dúvida, mas também um pouco sofrido.

Sérgio tirou o próprio paletó por iniciativa própria, com a intenção de colocá-lo sobre os ombros dela.

No entanto, Clarice cobriu o nariz com as mãos:

— Atchim!

Ela lançou um olhar de desculpas para Sérgio, erguendo os olhos como os de um filhote indefeso.

Uma imagem de dar pena.

O movimento de Sérgio parou no ar.

De um lado, a mulher a quem ele desejava dar o casaco; do outro, a enferma supostamente grávida, e tudo por um erro que ele cometera.

Ao ver a hesitação de Sérgio, Júlia baixou os olhos e desviou o rosto.

— Diretor Santana, acho que sua acompanhante precisa mais de cuidados.

Sendo uma reunião familiar, Sérgio não precisava manter as aparências ou se distanciar, como fazia em público.

Ele colocou o paletó sobre os ombros de Júlia e, virando-se para um funcionário que passava, pediu:

— Por favor, traga uma manta para esta senhora.

Clarice ferveu de raiva por dentro, mas não havia nada que pudesse fazer.

Júlia, no entanto, não aceitou a gentileza, devolveu o paletó nas mãos de Sérgio e deu as costas, afastando-se.

Os noivos subiram ao palco para compartilhar a história de amor deles, mas, logo nas primeiras palavras, ficou evidente que o discurso havia sido escrito por outra pessoa.

Osvaldo nem sequer conseguira decorar suas falas.

Logo depois, o jantar foi servido.

Tia Simone ajeitou o casaco de estilo tradicional com as duas mãos.

— Consogra, deixe-me contar a você, o banquete de hoje foi preparado inteiramente pelas mãos da cunhada do Osvaldo. Ela tem um talento incrível na cozinha.

Júlia, que estava sentada ao lado de Dona Helena, naturalmente escutou a declaração.

O motivo de Tia Simone rasgar elogios era a vontade de provar à família da noiva que a sua parte da família tinha um excelente relacionamento com Sérgio.

A ponto de a própria cunhada fazer questão de cozinhar no banquete de noivado.

Ao ouvir aquilo, Júlia não sentiu a menor alegria.

Apenas uma tristeza sutil.

Com exceção de Dona Helena, a maioria da família Santana era como Sérgio: enxergavam-na apenas como um mero símbolo.

Quando precisavam, tiravam-na da estante para usar e ostentar.

Quando não era mais útil, largavam-na sem pensar duas vezes.

Júlia curvou os lábios em um sorriso gélido.

Então, alguém cutucou seu ombro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!