Mesmo que tivessem ido, ela não tinha a obrigação de visitar a amante de seu marido.
Na mansão Santana...
Júlia olhou o relógio e percebeu que já passava da meia-noite.
Imaginando que a velha senhora já estivesse dormindo, ela voltou para recolher todas as suas coisas.
Três pijamas, algumas roupas para o dia a dia, uns poucos vestidos de gala, artigos de higiene e um pequeno calendário — essas eram todas as suas posses.
Não era muita coisa.
Em vez de dona da casa, Júlia parecia mais uma simples inquilina.
Júlia observou em silêncio os números no calendário e arrancou mais algumas páginas.
Restou apenas um solitário número nove.
Era a contagem regressiva em um dígito.
Ela arrastou a mala de volta para a sua própria casa.
Como mal havia comido no jantar e continuava sem apetite, sentiu uma vontade repentina de beber.
Apenas para esquecer tudo aquilo por um instante.
Enquanto isso, Sérgio levou Clarice até o hospital particular.
Após os exames, constataram que não havia nenhum problema grave; ela só havia sofrido um susto.
Sérgio estava sentado no sofá do quarto VIP, com o olhar fixo e perdido no próprio celular.
Ao notar isso, o semblante de Clarice se fechou.
Ela esforçou-se para parecer compreensiva:
— Sérgio, você não quer ligar para a Júlia?
Sérgio guardou o celular:
— Não precisa.
Clarice demonstrou uma expressão de profunda culpa:
— Me desculpe, a culpa foi toda minha, acabei irritando a Júlia, mesmo tendo prometido a você que não diria nada.
— A culpa não é sua.
Fora descuido dele próprio. Ele havia guardado o resultado do exame no bolso de qualquer jeito, sem imaginar que Júlia vasculharia suas roupas.
O médico foi até o quarto para avisar a Sérgio que os trâmites estavam resolvidos e aconselhou que era melhor alguém ficar como acompanhante naquela noite.
Clarice disse imediatamente:
— Não conte isso para a minha mãe, está bem? Não quero que ela se preocupe.
Sérgio assentiu:


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