Ao ouvir Patrícia falar aquilo, Júlia também sentiu um aperto no coração.
Ela não havia tomado pílula depois de transar com Sérgio.
Primeiro, porque tinha a esperança de que não haveria problema, já que outras pessoas passavam tanto tempo tentando engravidar.
Além disso, naquela época sua carga de trabalho estava intensa e ela não queria sofrer com os efeitos colaterais da pílula do dia seguinte.
Quem diria que...
Sem qualquer preparo para aquilo, Júlia observava atordoada enquanto Patrícia procurava algumas roupas para ela.
— Vista algo confortável. Deixe os saltos altos de lado por enquanto e vamos ver o que o médico diz.
Patrícia pegou a chave do carro de Júlia.
E ouviu Júlia pedir:
— Não vamos para aquele hospital particular.
Ela não queria encontrar Sérgio ou Clarice.
Assim como Júlia imaginava, os dois ainda estavam no hospital.
Marlene Martins soube da notícia apenas na manhã seguinte e chegou apressada.
— Sérgio, você vai ter que dar uma explicação para nós duas sobre o que aconteceu.
Marlene sorria friamente, mas, nas entrelinhas, não tinha a menor intenção de deixar o assunto passar em branco.
Ela abraçou a filha com uma expressão de dor.
— Eu ouvi dizer que o motivo de a Clarinha ter ido parar no hospital foi ter sido xingada pela sua esposinha virtuosa.
— Como a Júlia teve o atrevimento de mandar a minha Clarinha e o bebê morrerem juntos? É isso que uma pessoa educada diria?
— E ainda fala como se tivesse razão? Ela é muito cara de pau!
Marlene já guardava um ressentimento de Júlia havia muito tempo, só não se atrevia a demonstrar.
Agora, a culpa de Sérgio estava estampada em seu rosto, e era a hora perfeita de acertar as velhas e as novas contas.
— Ela ousou chamar a nossa Clarinha de vagabunda?
Marlene cruzou as pernas. Coberta de joias, emanava uma elegância tão requintada quanto gélida.
— E quando ela mesma encontrava um ou dois homens no aeroporto, não era ela a vagabunda?
No início, Sérgio não disse nada em consideração ao estado de Clarice.
Mas ao ouvir Marlene falar daquela maneira de Júlia, seu semblante fechou na mesma hora.
Sérgio respondeu com frieza:
— A senhora não pode esperar que a minha esposa receba bem uma mulher que mantém um caso com o próprio marido, não é mesmo?
Clarice arregalou os olhos ao ouvir aquilo.
Só depois de um momento foi que ela entendeu o sentido daquelas palavras.
Seu corpo tremeu levemente e as lágrimas começaram a cair.
— Sér... Sérgio... Você quer dizer que eu mereci?
Sérgio acenou com a cabeça, deu as costas e saiu.
Clarice ainda queria perguntar sobre Júlia, mas foi contida por Marlene.
Somente quando ele saiu do quarto, ela disse à filha:
— Menina boba, você não percebeu que o Sérgio ainda queria defender aquela vagabunda agora há pouco?
— Não adianta nada ficar se comparando aos outros num momento como esse, só vai te causar mais estresse.
Clarice apertou o canto do lençol com força, com o olhar fixo na porta.
— Mas eu não me conformo!
Marlene, dessa vez, não a repreendeu. Pelo contrário, concordou:
— E está certa de não se conformar. Você tem que lutar e arrancar o que quer, mas é preciso ter método.
Ela abriu um leve sorriso.
— Você agora está lutando sozinha. Está claro que o Sérgio começou a ter sentimentos por aquela descarada, sem contar o apoio que ela tem da velha senhora.
Marlene passou a orientar a filha:
— Na família Santana, você também precisa de aliados ao seu lado.
Com suas unhas pintadas de vermelho vivo, ela deu um toquinho no queixo de Clarice.
— Na última vez que esteve internada, não ouviu o que a velha senhora disse no quarto ao lado? Que ia dar as próprias ações para aquela vadia.

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