Deixaram-na se debater de um lado para o outro à vontade.
Ela se movia de uma forma tão ágil que nem parecia estar grávida.
Lembrava um rato cinzento, pego num dormitório universitário e amarrado por uma corda.
Nos tempos de escola, Marlene sempre fora a agressora e nunca havia passado por tamanho constrangimento.
Depois que se casou com o pai de Clarice, tornou-se ainda mais rica e poderosa.
Ela não iria engolir aquilo a seco.
Levantou-se feito uma louca.
Patrícia, que sabia de tudo e havia escutado a conversa das duas mais cedo, estava espumando de raiva.
Ela usou toda a sua força para empurrar Marlene de volta no sofá.
Pegou a almofada mais próxima e começou a espancá-la com vontade.
Enquanto batia, ela xingava:
— Sua maldita, como ousa dizer uma coisa dessas? Você também é mãe e incentiva os outros a causar um aborto! Quando faz essas coisas, não tem medo de que o carma recaia sobre a Clarice e que ela dê à luz um monstro?
Ela desferia um golpe com a almofada a cada duas palavras.
— Júlia, sua vagabunda! Como se atreve a trazer um bando de pessoas para me bater e invadir minha casa? Sua criminosa!
— Duvida que eu processo você até o fim?! Vou mandar você para a prisão para apodrecer pelo resto da vida!
— Por que Sérgio rejeitaria a minha Clarinha para escolher uma zé-ninguém como você?!
Marlene se debatia freneticamente.
Ela puxou dois sacos de lixo que estavam perto da porta.
O guarda-costas, vendo que Júlia estava em risco, agiu rápido e a imobilizou no chão.
Júlia arrancou os sacos das mãos de Marlene e despejou o conteúdo bem no rosto dela.
Em um piscar de olhos, o caldo de caranguejo misturado com o molho de vinagre e gengibre, além de papéis higiênicos usados e absorventes do banheiro de origem duvidosa, cobriram-na da cabeça aos pés.
Do outro lado, Clarice não apanhou.
Mas como estava grávida, seu estômago era mais sensível.
Ao ver a mãe com o rosto coberto daquela gosma amarelada nojenta, instantaneamente... vomitou.
Ouvindo todo aquele jorro de grosserias de antes, Júlia quase soltou uma risada.
— Sra. Martins, sinta-se à vontade para me processar, desde que tenha provas.
— Ah, e antes de me denunciar, lembre-se muito bem de tudo o que você andou fazendo. Cuidado para não acabar presa por sequestro e tentativa de homicídio em vez de provar uma simples invasão de domicílio.
Marlene estava tão engasgada de fúria que não conseguia falar.
Tentava respirar com dificuldade, e as sobras de caranguejo presas em suas narinas borbulhavam a cada exalação.
Além do forte cheiro azedo de comida estragada.
Era um quadro completamente patético.
O fato era que ela, de fato, não tinha coragem de chamar a polícia.
Júlia deu um passo para trás, como se a achasse repulsiva.
Ela riu com frieza.
— Se você não for chamar a polícia, eu chamo.
Júlia pegou o celular.
Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa.
De repente, viu Clarice saltar feito um defunto ressuscitado.
Como o guarda-costas havia saído para ajudar Júlia antes, Clarice estava acompanhada apenas pelo motorista.
Ela se livrou do motorista, mas não correu na direção de Júlia.
Sérgio fechou a porta da varanda, cerrando os lábios.
— Clarice está grávida, ela não pode passar por choques emocionais. Júlia, qualquer coisa que você tenha a dizer, nós resolveremos em casa.
— Não será necessário.
Júlia o interrompeu friamente.
Ela o havia visto correr feito uma mariposa hipnotizada pela chama para salvar sua amiga de infância.
Notara o lampejo rápido de pena e indignação nos olhos dele.
Ao recordar de todas as suas experiências passadas.
Júlia permitiu que seu coração, já congelado, finalmente se fragmentasse com aquele golpe fatal.
Ela poderia ter deixado espaço para reconciliação em qualquer outro assunto, mas não quando envolvia o seu bebê.
Ela ergueu a mão.
E arremessou o envelope contendo o acordo de divórcio, que atingiu o peito de Sérgio com um estrondo abafado.
Sérgio pronunciou em tom sério:
— Júlia.
Júlia repentinamente abriu um sorriso.
Sorriu com a leveza de quem não tinha mais nada a perder.
Com uma tranquilidade libertadora.
Ela olhou Sérgio nos olhos, serenamente.
E disse, no tom mais sincero e indiferente possível:
— Sérgio, vamos nos divorciar.

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