Fácil e rápido, eu poderia prolongar isso por pelo menos dois anos.
Sérgio, com seu terno elegante e jeito pausado de falar, sempre passava a falsa impressão de ser uma pessoa razoável.
Ele segurava um isqueiro luxuoso entre o polegar e o dedo médio.
O indicador o girava casualmente; a cada movimento, as veias nas costas da sua mão se destacavam de forma leve antes de voltarem ao estado de repouso.
Júlia apenas deu uma olhada de relance.
Se Sérgio fosse mudo, seria muito melhor.
Sérgio prosseguiu de forma arrastada: — E, se eu também quisesse dividir os bens adquiridos no casamento, eu poderia pedir outra extensão: propriedades, terrenos, ações da empresa, contas bancárias, fundos, apólices, moedas estrangeiras, o fundo fiduciário da família, coleções de antiguidades...
Quanto mais Júlia ouvia, pior ficava a sua expressão.
Sérgio ergueu o canto da boca: — Ah, é verdade. E ainda há a herança dos idosos da família.
Se eles fossem tentar apurar tudo, levariam a vida inteira.
Mas o Sr. Xavier não era nenhum novato.
As informações confidenciais do Oceano, os detalhes sobre a família e os dados bancários que Júlia havia recolhido ao longo dos anos também eram extremamente valiosos.
Sérgio olhou para Júlia, sem acreditar que ela seria capaz de ir tão longe.
Tudo aquilo não passava de táticas de negociação do Sr. Xavier.
Contudo, Júlia logo destruiu essa presunção.
— Sérgio Santana, se eu vazar a sua relação extraconjugal com a Clarice Cardoso, o Oceano sofrerá o impacto.
— Sem falar na criança no ventre da Clarice.
Júlia fixou o olhar nas profundezas dos olhos escuros de Sérgio.
— Você e a Clarice não iriam querer que a criança fosse estigmatizada como filho ilegítimo, iriam?
Aquilo era uma ameaça e uma barganha descaradas.
Sérgio não disse nada.
A atmosfera no escritório pareceu ter sido comprimida num espaço minúsculo.
O ar ficou pesado e espesso, com um silêncio absoluto ao redor.
A pressão que Sérgio irradiava era esmagadora.
Aquela hesitação comprovava que ele realmente se importava com Clarice e com o bebê que ela carregava.
Sérgio pegou um cigarro da carteira e o acendeu.
O cheiro de tabaco misturou-se aos cheiros estranhos da fragrância no escritório.
Aquilo deu vontade em Júlia de vomitar.
Ela cobriu a boca com as mãos, precisando de um momento para se recompor.
— Se você não gosta de lidar com o meu tio mais velho ou o meu terceiro tio, posso garantir que eles nunca mais cruzem o seu caminho.
Sérgio chegou à sua conclusão: — No entanto, o divórcio não vai acontecer.
Júlia cerrou os lábios com força, sem conseguir compreender os motivos dele.
— E por que não?
Sérgio moveu os lábios, mas não soube o que responder.
Dizer a ela que metade de suas roupas havia desaparecido do armário da mansão e que ele não conseguia se acostumar com aquilo parecia, de certa forma, inapropriado.
Dizer-lhe que não conseguia se concentrar sem a fragrância em seu escritório, sim... mas não era apenas por isso.
Ao ver a expressão pensativa de Sérgio, Júlia sorriu num silêncio sombrio.
— Já que o Diretor Santana não tem certeza, deixe-me explicar.
— Você apenas se acostumou com alguém que mantivesse a sua vida organizada, alguém que sempre aceitasse os seus defeitos e suportasse a sua frieza.
— Acostumou-se a ter uma babá à disposição em casa e uma assistente para cuidar de tudo quando estivesse fora.
— Para você, eu não passo de uma ferramenta conveniente. Alguém apresentável, que nunca traz problemas.
Dizendo isso, uma onda de emoção tomou conta dela.
— Mas, Sérgio Santana, eu não sou uma IA, nem uma lixeira. E já suportei demais.

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