Luana Franco saiu do quarto.
— Júlia, que cheiro de queimado é esse? O que está fazendo?
Ao ver que ela estava no telefone, perguntou movendo apenas os lábios: Quem é?
— Não é nada — disse Júlia em um tom indiferente. — É de telemarketing, nada importante.
Ela desligou o telefone num gesto mecânico.
Sérgio tinha escutado parte da conversa.
Júlia o havia chamado de vendedor.
E dissera que a ligação dele não era importante.
O rosto de Sérgio escureceu. Segurando o telefone, ele se perdeu em pensamentos.
— Éder, ligue para o advogado da Júlia.
O Sr. Xavier agendou o horário e sugeriu a Júlia que fosse encontrar Sérgio.
Mas não um encontro a sós.
E sim uma reunião formal entre os advogados e as partes envolvidas.
Como de costume, Júlia chegou à entrada do Grupo Oceano Internacional quinze minutos antes do horário marcado.
Desta vez, ela não precisou esperar e nem foi questionada se tinha hora marcada.
O próprio Éder estava no saguão à espera e parecia estar lá há um bom tempo.
— Éder, este é o meu advogado.
O Sr. Xavier deu um passo à frente e o cumprimentou.
Por puro hábito, Júlia caminhou em direção ao elevador comum de funcionários.
— Senhora, por aqui, por favor.
Éder a guiou até o elevador privativo do presidente.
Júlia parou por um segundo, sentindo uma leve ironia na situação.
No passado, quando vinha ao Oceano, era para trazer documentos no meio da noite ou usar os elevadores de visitantes desconhecidos.
Sempre escondida, evitando ser vista.
Agora, vindo com um advogado para tratar do divórcio, ela finalmente andaria no elevador privativo.
Júlia analisou a decoração do elevador.
Um tapete italiano feito à mão e o aroma da fragrância cítrica que ela mesma havia criado.
De fato, era muito diferente do elevador dos funcionários.
Éder quebrou o silêncio: — O Diretor Santana queria descer pessoalmente para recebê-la, mas a reunião dele ainda não terminou.
Ao ver a expressão de Júlia, ele fez o possível para justificar a atitude de Sérgio.
Falou como se Júlia fosse de extrema importância e como se ela devesse ficar imensamente comovida.
Júlia apenas sorriu, sem dizer uma palavra.
Era difícil que ela se emocionasse com aquilo.
Na verdade, aquilo a deixou ainda mais em alerta.
Sérgio percebeu a confusão dele e sorriu.
— Eu tenho algum conhecimento sobre a lei. O quê? Minha esposa não mencionou isso?
Ao ouvir as palavras "minha esposa", Júlia olhou para ele, confusa.
Sérgio havia enlouquecido hoje?
Ela sabia que ele tinha se formado em finanças com uma especialização secundária em direito, obtendo dois diplomas.
Mas seu foco sempre fora o direito comercial internacional.
E outra coisa: desde quando o sistema de common law e o direito civil do país eram a mesma coisa?
Júlia bufou mentalmente.
Ela e o Sr. Xavier preferiam que Sérgio concordasse com o divórcio amigável.
Como figura pública, Júlia queria evitar o litígio, a menos que fosse estritamente necessário.
A voz de Sérgio era calma e relaxada.
— O Sr. Xavier sabe que, para pessoas como nós, com propriedades em toda parte, as intimações judiciais nem sempre chegam ao destino, o que nos obriga a usar citações por edital.
— O edital oficial leva sessenta dias... dois meses. É o dobro do período de reflexão do divórcio.
Sérgio olhou para Júlia.
— Mesmo se eu receber a petição de divórcio, ainda posso entrar com um recurso sobre a jurisdição para mudar o tribunal.
A primeira instância. Se houver recurso, vai para a segunda instância.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!