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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 237

Ao ouvir isso, Sérgio nem teve tempo de ficar com raiva. Deu meia-volta e caminhou para fora.

Dona Helena viu que ele ainda usava chinelos, congelou por um segundo e depois reagiu:

— Rápido, me ajude a sair. Chame o motorista para procurar conosco.

A chuva lá fora já havia parado.

Mas a ansiedade de Sérgio não havia diminuído em nada.

A vila ficava localizada numa cidade de segunda linha, no meio de uma montanha com belas paisagens, e não na Cidade N.

De dia até que era aceitável, mas à noite a área ficava deserta.

A estrada sinuosa da montanha e a floresta densa e escura pareciam capazes de engolir uma pessoa por inteiro.

Sérgio lembrou-se do que o médico havia dito.

Júlia estava doente e ainda por cima grávida.

Se ela saísse de fininho e se perdesse, o que aconteceria?

E se fosse atropelada por um carro?

Sérgio caminhou a passos largos para longe. No início, ele achou que Júlia estava por perto.

Mas claramente não estava.

A mansão já havia ficado para trás, parecia ter encolhido de tamanho e até a luz mal podia ser vista.

Furioso, Sérgio atirou o celular no chão, quebrando a tela, e respirou fundo por um momento antes de conseguir controlar as suas emoções.

Dona Helena o alcançou com o motorista, e o carro deu duas buzinadas.

— Sérgio, entre no carro.

Sérgio sentou-se no carro. Os chinelos e as meias estavam encharcados de água, deixando pegadas molhadas no assoalho.

Apertou os lábios e segurou no puxador, olhando apenas pela janela, completamente alheio ao seu estado lamentável.

O clima não estava frio, mas após pisar nas poças d'água, ele ainda sentia calafrios.

No entanto, uma fina camada de suor cobria o rosto de Sérgio.

Dona Helena murmurou para si mesma: "Que desastre."

— Agora você deve entender que o amor não pode ser forçado. Não pressione mais a Julinha e não faça coisas das quais possa se arrepender depois.

Ao ouvir isso, os pulsos de Sérgio tremeram levemente duas vezes.

— Pare o carro, pare!

O motorista pisou no freio.

Sérgio abriu a porta do carro e saiu correndo.

Os faróis iluminaram a beira da estrada.

Ele viu uma figura esbelta e frágil, caminhando lentamente e com cansaço.

Talvez com medo de ser descoberta ou dos carros que passavam à noite, Júlia estava escondida na encosta.

Aquela estrada não tinha guarda-corpo, então se alguém caísse, ninguém notaria.

Ao ver isso, os olhos de Sérgio se arregalaram.

— Júlia, venha para cá!

Ouvindo a voz de Sérgio, Júlia tremeu dos pés à cabeça e saiu correndo na direção oposta.

A estreita margem tinha apenas a largura de uma pessoa, com raízes e galhos bloqueando o caminho.

— Pare aí!

Quanto mais ele gritava, mais Júlia ficava assustada.

Ela tropeçava; as roupas já estavam rasgadas em alguns lugares, e havia marcas de sangue no seu braço.

Os olhos de Sérgio pareciam prestes a explodir.

Ao ver os ferimentos, sentiu uma dor aguda no peito.

Uma sensação de pânico extremo o dominou.

Júlia continuava a fugir, arriscando-se a tropeçar e cair a qualquer momento.

Diante daquela cena tão chocante, os nervos de Sérgio romperam-se de vez.

— Eu prometo!

Ele respirou fundo, as cordas vocais tremendo.

As pedras perfuraram a sola do seu pé, chegando até o seu coração. Ele apertou as mãos, os nós dos dedos ficando cada vez mais brancos.

Engolindo em seco com dificuldade, disse:

O rosto de Sérgio ficou pálido ao ouvir essas palavras.

Segurou a caneta com firmeza; o seu orgulho e a sua raiva viraram estilhaços.

Qual o sentido de continuar lutando?

Júlia já havia o traído, já tinha o filho de outro, e por isso estava "manchada".

Pessoas assim não tinham o direito de permanecer na família Santana.

Com os olhos vermelhos, a dor latejante a cada palavra rasgando a garganta:

— Você não vá se arrepender disso.

Júlia observou a caneta deslizando no papel enquanto deixava escrito um nome.

E finalmente soltou um suspiro de alívio.

Foi só então que as lágrimas desceram incontroláveis.

Júlia sentia-se acordando de um longo sonho. Nos três anos anteriores, havia vivido na teia que ela mesma trançara, e, por idealizar a pessoa perfeita, acreditava ser real.

A realidade mostrava que o sentimento nunca fora mútuo.

E que sequer era cuidada e respeitada.

Júlia aprendera tropeçando a tratar como joia as pedras mais turvas e densas e, no fim, descobriu que não eram absolutamente nada.

Mas ela tentara resgatar o barco virado da vala com todo o seu esforço, e voltara sã e salva para a beira.

E daí em diante, ela seria a Júlia, e Sérgio seria o Sérgio.

Finalmente nada mais restaria a entrelaçá-los.

Júlia abraçou os papéis do divórcio e sentiu a leveza de um peso ser arrancado; até a sua respiração soou mais tranquila.

Vendo o contrato ser levado, o vazio invadiu Sérgio.

O homem então sentiu-se cego.

As crises repentinas de fúria e loucura há muito tempo eram motivadas unicamente por Júlia.

Sérgio finalmente reconhecera para si mesmo que nunca quis libertar a Júlia, não a queria distante e detestava pensar no divórcio.

Porém nada poderia ser feito agora.

Olhando a figura dela desaparecendo ao se afastar, não foi capaz de proferir uma única palavra sequer.

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