Entrar Via

Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 236

A expressão sempre calma de Sérgio contorceu-se ligeiramente.

Ele cravou os olhos em Júlia, buscando ler o seu rosto.

— O que você disse?

— Me dá nojo.

Júlia repetiu, sem hesitar.

— Esta casa, a sua presença e o cheiro do seu perfume... tudo em você me dá vontade de vomitar.

Sérgio foi tomado por um acesso de ira tão insuportável que quase pulou a varanda ele mesmo no momento seguinte.

— É mesmo?

Ele não percebeu como a sua voz carregava um desespero agressivo.

— Você sentia nojo de mim antes ou depois de ficar com o Lucas? Ou será que fui eu que não te satisfiz mais?

— Sai! Vai embora daqui agora!

Júlia berrou, a voz aguda, ensurdecedora.

Os tímpanos de Sérgio doeram. O coração também doeu.

Ele não compreendia como os dois tinham chegado àquele estado deplorável.

Nem uma única palavra amável. Apenas aspereza, insultos e ameaças de vida ou morte constantes.

Sérgio estava extremamente cansado.

Vendo a histeria de Júlia, começou a se questionar se havia agido certo.

Principalmente por aquela cena há pouco... o choque fora violento demais.

Ele nem sequer podia imaginar o que seria dele se Júlia tivesse escorregado e caído.

Só de pensar nisso, o seu corpo formigava.

A sua raiva apaziguou-se significativamente.

Ele a fitou em silêncio.

Percebeu que, em menos de dez dias, ela havia emagrecido muito.

O pulso que acabara de segurar parecia prestes a quebrar. E, em seus braços, ela pesara quase o mesmo que uma folha de papel.

Apesar de não querer admitir, Sérgio sabia que tinha culpa nisso.

Desencorajou-se inexplicavelmente, sentindo a amargura da derrota.

— Vou pedir para fazerem o jantar.

O médico veio vê-la depois do jantar.

— Diretor Santana, a senhora sofre de depressão. Entre os meses quatro e seis da gravidez as oscilações hormonais são intensas, e, com a barriga crescendo, a sobrecarga física é enorme.

— Além disso... pela natureza peculiar da sua profissão, a senhora tem uma sensibilidade aguçada ao ambiente e às pessoas.

— Se ela continuar assim, o pior vai acabar acontecendo.

Sérgio ficou mudo por muito tempo.

— Qual é o tratamento?

O médico observou as reações dele:

— Eu recomendaria retomar a rotina normal, atividades leves ao ar livre, além de reposição de nutrientes.

Sérgio relutou em aceitar.

Ele tentava convencer-se de que aquilo seria impossível.

Júlia era só dele.

Se ele a deixasse partir agora — ainda mais ela esperando o filho de outro homem —, nenhum elo restaria entre os dois.

Por outro lado, o medo sufocava-o.

— Certo. Pode ir. E a partir de hoje, você vem aqui uma vez por dia.

Naquela noite, Sérgio não conseguia deixá-la sozinha no quarto.

Entrou segurando o seu travesseiro, mas foi logo enxotado.

— Sérgio, por favor, saia do meu quarto.

A mão dele hesitou na maçaneta.

— Este quarto é meu. A casa inteira é minha.

Júlia apenas calou-se, trincando os dentes.

Xingou-o em silêncio por ser tão cara-de-pau e desavergonhado.

Sérgio deitou-se ao lado dela e envolveu-a pela cintura.

Júlia começou a lutar e se esquivar.

Um peixe recém-pescado debater-se-ia menos que ela.

Sem outra opção, Sérgio passou a noite no chão.

Essa rotina caótica durou três dias.

Até que Dona Helena Santana bateu à porta da mansão.

A expressão de Sérgio paralisou-se por um instante.

Ele nunca havia refletido seriamente a respeito.

Mas, o que importava era que aquilo era irrelevante.

— Vovó, a esta altura, o que adianta falarmos disso?

Sérgio acomodou-se no sofá, reassumindo sua aura controlada e impassível, cobrindo-se com uma carapaça rígida e impenetrável.

— Desde que nos casamos, a senhora bem sabe que eu e a Júlia não pertencemos ao mesmo mundo. Cada um tira o proveito que precisa do outro e cumpre o seu dever. Não é essa a filosofia que norteia a família Santana?

— Logo após o casamento, cumpriu-se a exigência do testamento do meu avô. Herdei todas as ações que lhes cabiam, e vocês só retiveram o patrimônio vitalício. Meus tios deixaram o conselho administrativo, e desde a troca na gestão, as cotações já subiram cinco pontos percentuais.

— Júlia é brilhante, linda, obediente, cheia de inteligência emocional e superperspicaz. Formamos um par sob medida. Logo, o lugar dela é comigo.

Ao recitar essas justificativas, um sorriso superficial e artificial estampou-se-lhe nos lábios.

— E então a senhora quer saber se eu gosto dela?

As suas emoções oscilavam no limiar dos dois polos.

Ao mesmo tempo sereno, e contudo prestes a entrar em colapso.

O ressentimento em sua voz parecia apontado para o nada, e, no entanto, a tudo atingia.

— Crianças criadas como mercadoria como nós não gozam do direito de "gostar". Deixe as brincadeiras de lado, por favor.

Ouvindo o neto, as rugas no rosto da Dona Helena pesaram e vincaram-se de desgosto.

Seus lábios começaram a tremer.

Ficou muda, petrificada.

Os dois prolongaram a conversa, e só deixaram o recinto após a tempestade dar uma trégua.

Na cozinha, Dona Eunice e as empregadas recolhiam e limpavam as travessas.

Sérgio ergueu o olhar para o andar superior.

Viu que as luzes permaneciam apagadas.

Como não ouvia qualquer murmúrio, um sobressalto abateu-se em seu íntimo.

Os empregados haviam-lhe relatado que Júlia recolhia-se bastante tarde à noite.

Perguntou com uma voz densa:

— Onde a Júlia se meteu?

Uma empregada subiu correndo, mas voltou de rosto lívido de terror.

— Ah... Diretor Santana, a senhora desapareceu.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!