Entrar Via

Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 239

Afinal, a maioria das pessoas do círculo deles também optaria por isso.

No entanto, Júlia balançou a cabeça.

— Eu prefiro matriculá-la numa creche comum. Nessa idade, não quero que ela se sinta sob pressão nem superprotegida. Quando for a época do ensino fundamental, discutiremos e veremos se ela prefere uma escola internacional ou uma normal.

Havia outra coisa que ela não mencionou.

A Cidade N era território de Sérgio Santana, e o filho de Clarice provavelmente deveria ter a mesma idade de Dora. Ela não queria que se cruzassem.

Portanto, uma creche comum seria a melhor escolha.

Patrícia lançou um olhar furtivo para Júlia.

— E como estão as coisas entre você e o Lucas?

Júlia hesitou por um instante.

— Que progresso poderia haver?

Nos últimos dois anos, embora Lucas viajasse frequentemente para o exterior, a maioria das vezes era por questões de trabalho.

Raramente eles saíam para comer juntos.

Nos primeiros dias em que Júlia se mudou para o exterior, seu estado mental era péssimo. Ela passava os dias inteiros trancada no quarto, imóvel na cama.

Não era preguiça ou falta de vontade de agir; a doença havia transformado o mundo todo num ambiente sombrio e exaustivo para ela.

Quando ela finalmente começou a melhorar, dedicou-se completamente aos cuidados de Dora.

Anteriormente, ela não compreendera bem os sentimentos de Lucas, mas, após o confronto físico dele com Sérgio no set de filmagem, a ficha finalmente começou a cair.

Júlia não tinha intenção de se envolver num relacionamento agora, e isso seria injusto com Lucas.

Seu último relacionamento havia sido sufocante e falho demais.

Estando ela mesma no processo de cicatrização e recuperação, como poderia ser como um parasita, que sugava o sangue dos outros apenas para satisfazer as próprias carências emocionais?

Patrícia entendia e suspirou intimamente.

Júlia voltou ao país em um final de semana.

Ao colocar os pés naquela terra conhecida novamente, não estava empolgada.

Sentia mais era a tranquilidade sombria que vinha de reconhecer o local, mas não as pessoas que nele habitavam.

Nos últimos anos, Júlia raramente tivera notícias de Sérgio. Só ficara sabendo através de Luana Franco que ele não se casara com Clarice.

Até mesmo os detalhes sobre o filho ilegítimo deles foram mantidos sob sigilo.

Em entrevistas ocasionais para revistas ou aparições em eventos sociais, ele estava sempre desacompanhado.

Assim que o avião aterrissou, Dora virou uma bebê incrivelmente curiosa.

— Mamãe, olhe, aquele robô é mais alto que a Dora!

— Uau, uma pelúcia de panda, a Dora quer!

Júlia riu e atendeu ao pedido dela.

Pois a menininha olhava para ela com olhinhos ansiosos e comportamento impecável.

Sempre era muito difícil dizer não à própria filha.

Preocupada que Dora não se adaptasse à vida no país, Júlia já a preparava mentalmente havia meses.

Ela contou a Dora sobre as belíssimas luzes do país durante a noite.

Sobre os robôs divertidos.

E como haveria várias crianças brincando na creche.

Dora ficou cheia de curiosidade e expectativa e, à medida que as coisas se revelavam ser como a mãe dissera, confirmou as maravilhas.

Paralisado, só se deu conta do que havia visto quando o carro estava a centenas de metros de distância.

Ergueu o corpo, virando o pescoço e olhando para trás.

Havia apenas o letreiro de uma creche.

Sem conseguir localizar a figura novamente, um imenso vazio apoderou-se de sua mente.

Era isso mesmo, não era?

Júlia não voltaria ao país.

Muitas e muitas vezes Sérgio ia esperar na frente do antigo apartamento dela, presenciando vários novos inquilinos entrando e saindo de lá.

Mas ela não voltou nenhuma vez.

Pelo que soubera, era sempre Lucas quem pegava o avião e ia ao encontro dela no exterior.

Ainda que soubesse ser muito pouco provável que ela estivesse ali, Sérgio cravou o olhar através da janela, não querendo abrir mão da esperança de encontrá-la novamente.

Impulsionado pelo instinto, pediu ao motorista para fazer o retorno com o veículo.

Mas não a encontrou, por mais que varresse cada centímetro da calçada.

A agonia excruciante de ser inundado por uma esperança que logo se esvaía.

Como as águas recuando repentinamente antes de a tsunami atingir a costa.

Seu coração partiu-se, rachado, deixando transparecer só escombros, como sujeira de lama barrenta e recifes extintos.

E então a violenta torrente voltou a despencar e engoli-lo, fazendo-o perder qualquer senso de razão.

A muito custo, Sérgio vinha entendendo aos poucos.

Ele a tinha perdido.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!