Os shoppings no país estavam sempre lotados, e Júlia temia ser fotografada.
Dora não estava nem um pouco intimidada, batendo no peito:
— Então a Dora vai lá fora e compra um pra mamãe também.
O coração de Júlia se encheu de mel, uma doçura imensa.
— Tá bom, a Dora é tão boazinha.
Patrícia e Tati levaram Dora para dentro do shopping.
— Patrícia, vai comprar o jogo de cama da Dora, foi o que a professora da creche pediu. Eu levo a Dora para a fila.
Patrícia assentiu.
Havia muita gente na loja de algodão-doce do shopping de luxo.
Dora mal havia entrado na fila quando, de repente, alguém a empurrou com força.
Se não fosse pela reação rápida de Tati, que a segurou de imediato, ela com certeza teria caído.
Lágrimas de dor giraram nos olhos de Dora.
— Tati, tá doendo.
Tati ficou com o coração partido, abaixando-se para massagear os ombros de Dora.
Ao olhar para trás, viu um garotinho vestido da cabeça aos pés com roupas de grife.
O menino viu o estado de Dora e torceu a boca com nojo.
— Só serve pra atrapalhar, e ainda chora. Que vergonha.
Dora não aceitou:
— Por que você não entra na fila?
— Fila?
O menino soltou um "tsk".
— Só gente pobre entra na fila. Eu, o jovem mestre, não preciso.
Dora nunca tinha visto alguém tão irracional. Ela arregalou os olhos para Tati, como se esperasse que ela julgasse a situação.
Tati olhou para as roupas do garoto e soube de imediato que a família dele devia ser muito rica.
Antes, no exterior, Dora frequentava uma creche comum, sem qualquer noção de dinheiro ou poder.
Mas Tati tinha.
— Não chora, Dora. A Tati paga e compra um a mais pra você, tá bom?
— Não tá bom!
Dora não engoliu essa.
— Não foi a Tati que me empurrou. Eu quero que ele pague.
O menino arregalou tanto os olhos que quase ficou estrábico.
A cuidadora que vinha atrás dele finalmente chegou, um pouco atrasada.
O garotinho deu uma ordem:
— Assistente Ding, transfira dinheiro para essas duas pobretas!
A Assistente Ding nem precisou olhar para saber que o pequeno mestre havia arrumado confusão de novo.
Ela simplesmente se curvou.
— Desculpe, me desculpe mesmo.
Dora ainda não tinha o conceito de onde vinha o dinheiro.
A Assistente Ding suspirou, constrangida.
— Jovem mestre, o chefe já vem te buscar daqui a pouco. Não combinamos que você ia se comportar bem?
Ao ouvir a palavra "chefe", o garotinho encolheu o pescoço no mesmo instante.
Dora viu aquilo e achou que o "chefe" fosse algo incrível, algo muito bom.
Ainda soluçando, ela choramingou.
Dora puxou a manga de Tati:
— Eu também quero um chefe, Tati. Pede pra mamãe comprar um chefe pra mim, por favor?
As pessoas ao redor ouviram aquilo, sentindo pena e achando graça ao mesmo tempo.
Mas, de tanto rir, aos poucos ficaram em silêncio.
A Assistente Ding olhou para trás e notou que o homem havia chegado em algum momento.
Ela se calou imediatamente.
— O que está acontecendo?
Tati também o viu e soltou um suave "uau".
O homem estava vestido em um terno impecável; dava para ver de longe que era extremamente rico.
Além de bonito. Era mais bonito que os jovens atores famosos do momento.
Dos pés à cabeça, ele exalava uma única palavra: caro.
Só parecia um pouco sério demais.
A Assistente Ding disse, sem jeito:
— Chefe, veja bem, o jovem mestre queria comer algodão-doce.

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