Sérgio perdeu completamente a compostura gentil que havia demonstrado no shopping.
Com os olhos vermelhos, suas costas estavam ligeiramente curvadas num esforço desesperado de se colar ao telefone.
— Alô? Alô?!
Mas do outro lado da linha só se ouvia o "tu, tu" do tom de ocupado.
A ligação já havia sido encerrada.
Tati olhou assustada para o homem bonitão.
Dora correu para lá com suas perninhas curtas.
— Moço, que legal, você corre muito rápido!
Tati puxou Dora, colocando-a atrás de si, e dirigiu a palavra a Sérgio com muita desconfiança:
— Senhor, quer que eu chame uma ambulância para o senhor?
Avançar de repente e roubar o telefone dos outros... vai ver ele era algum foragido da lei.
Sérgio continuava segurando o aparelho.
Passado um momento, ele finalmente caiu em si, e aquela postura desolada dava até pena.
— Me desculpe, eu...
Ele devia ter perdido a cabeça para reagir daquele jeito só por ter ouvido o mesmo sobrenome.
Como seria possível haver tamanha coincidência no mundo?
Completamente na defensiva, Tati estendeu a mão com hesitação:
— Pode me devolver o celular?
Sérgio o entregou para ela:
— Sinto muito mesmo.
Antes mesmo que ele terminasse de falar, Tati já tinha agarrado Dora rapidamente, se virado e saído correndo.
Sérgio observou a silhueta em fuga desaparecer sob a luz do entardecer, dando um sorriso amargo.
Tati entrou no carro e ainda sentia arrepios de pavor:
— Minha Nossa Senhora. Não é à toa que é tão bonito, mas não tem ninguém com ele. O cara tem problema de cabeça!
Ela ainda deu um sermão em Dora:
— Querida, quando você encontrar gente assim de novo, tem que passar longe, entendeu?
— Por que?

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