Júlia sentiu novamente aquele perfume familiar.
Mas já não sentia seu coração acelerar por causa dele.
Era como gostar muito de uma comida, comê-la sem parar todos os dias até enjoar e passar mal.
Ao ver aquilo de novo, só restava aversão.
Júlia já estava psicologicamente preparada para aquela cena, mas ainda assim sentiu um arrepio incômodo.
— Diretor Santana, precisa de mais alguma coisa?
Lucas logo percebeu o que estava acontecendo.
Com uma das mãos, ele puxou Júlia, protegendo-a firmemente atrás de si.
Com a outra, empurrou Sérgio sem a menor cerimônia.
A força foi tamanha que Sérgio cambaleou para trás.
— Durante a reunião, ficou claro o seu plano mesquinho. O que foi aquele papo de implorar por uma parceria e abrir mão da liderança? Sérgio, não me diga que ainda tem esperanças de ficar sozinho com a Júlia?
A expressão de Lucas era hostil.
— Diretor Santana, encare a realidade. Três anos atrás, você não conseguiu segurar ninguém. Agora, muito menos é digno de se aproximar dela.
Júlia franziu a testa e puxou de leve a manga de Lucas.
— Vamos embora, não perca tempo com ele.
As palavras "perder tempo" atingiram a cabeça de Sérgio como uma marretada.
Ele sentiu como se tivesse sido atingido por um raio.
Júlia estava olhando para ele como se olhasse para lixo.
Como ela podia?
— Júlia! Durante esses anos... eu não parei de te procurar.
O tom inicial de Sérgio ainda trazia um traço de irritação, mas no final, a voz foi minguando.
Tão baixa que se tornou quase uma súplica humilde.
Júlia não respondeu.
Sérgio foi atrás dos dois pelo corredor.
Ele falava sem parar, toda a sua fachada fria e arrogante havia desaparecido, parecia um fã ensandecido no aeroporto.
— Eu entrei em contato com a marca de joias da qual você é garota-propaganda, você viu o colar que mandei fazer sob medida para você?
— E sobre aquele seu filme premiado, eu...
Júlia entrou na van e ordenou ao motorista:
— Feche as janelas.
Imprudente, Sérgio enfiou a mão pela fresta do vidro que se fechava.
A janela subiu até o topo, esmagando os ossos da sua mão com um ruído aflitivo.
Júlia não imaginava que ele fosse capaz de tal loucura.
Ela imediatamente pressionou o botão para baixar a janela.
Com os olhos vermelhos, Sérgio forçou um sorriso através de uma expressão de quem estava prestes a chorar.

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