Será que, no coração de Júlia, ele era apenas um psicopata obsessivo que não media as consequências?
Naquela época, Sérgio só queria muito mantê-la ao seu lado, não tivera a intenção de machucá-la.
Agora Júlia havia voltado.
— Quero te pedir desculpas. Perdão.
— Na mansão da montanha, eu não queria mesmo tirar a sua liberdade. O que eu disse na época ainda vale. Júlia, eu realmente estou disposto a criar o seu filho com outro homem.
— Desde que você...
Júlia levantou a mão, num gesto de "pare".
— Não é necessário, Sérgio. A minha filha não precisa que ninguém a crie. Não ache que pode fazer o que bem entender só porque tem dinheiro sujo.
Júlia olhou calmamente para o homem à sua frente.
A expressão de Sérgio vacilou. No passado, ele certamente teria demonstrado impaciência.
— Júlia, eu sou o seu marido, não um qualquer.
Júlia respondeu friamente:
— Ex-marido.
O peito de Sérgio subiu e desceu bruscamente, e ele fechou os olhos.
— Portanto, peço que pare de me assediar daqui em diante.
Assediar?
Júlia estava mesmo chamando a sua tentativa sincera de pedir desculpas de assédio?
— Papai!
De repente, a voz de um menininho soou atrás deles.
Sérgio franziu a testa ao ver Bernardo Santana.
Júlia também olhou fixamente para a criança.
O garoto tinha olhos grandes, ligeiramente caídos nos cantos, uma expressão inata de dar pena.
Talvez por ser muito pequeno, não lembrava em nada os traços de Sérgio; na verdade, parecia-se mais com Clarice Cardoso.
Bernardo, de forma mal-educada, apontou para Júlia:
— Quem é essa mulher?!
Sérgio o repreendeu:
— Foi assim que eu te ensinei a falar?
Bernardo, que normalmente tinha muito medo de Sérgio, não deu a mínima desta vez.
Ele correu na direção de Júlia e lhe deu um empurrão.
O menino não tinha força alguma.
Júlia apenas sentiu o nojo de quem pisava numa mosca.
— Foi você que seduziu o meu pai para fazer ele ignorar a minha mãe!
— Sua mulher horrorosa, mulher má! Você é uma amante que destrói a família dos outros!
— A minha mãe e o meu pai são a verdadeira família! Você é uma pessoa ruim!
— Eu vou acabar com você! Vou acabar com você!
Sérgio gritou severamente:
— Mulher horrorosa, mulher má, lixo!
Com uma expressão fria, Júlia fez um alerta suave.
— Controle a sua cria. Se eu ouvir ele me insultando ou insultando a minha família mais uma vez, vou ensiná-lo bons modos no lugar de vocês, e aproveitarei para jogar os podres do passado ao público, para que todos vejam o excelente nível da educação da família Santana.
O rosto de Sérgio queimou como se tivesse recebido um tapa.
A dor era latente.
Mas, ao ver Júlia indo embora, correu atrás dela sem se importar com mais nada.
— Qual é o seu número de telefone agora?
Sérgio ergueu o próprio celular.
Na sua voz, havia uma súplica rígida e quase imperceptível.
— Me dê o seu número, será mais fácil para nos comunicarmos sobre assuntos de trabalho.
— E se precisar de alguma coisa, eu também...
Júlia não aguentava mais aquela insistência.
Parou e pegou o celular dele.
Atendendo ao desejo de Sérgio, digitou alguns números.
Segundos depois, a ligação foi atendida.
— Alô, é da delegacia de polícia?
— Tem um homem aqui encorajando o filho a me caluniar.
— Sim, e agora o pai está bloqueando o meu caminho para me impedir de sair. Quero denunciá-lo por assédio sexual.

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