Sérgio respondeu:
— Fale logo.
Clarice mordeu os lábios.
— A professora do jardim de infância do Bernardo me ligou, pediu para chamar os pais. Depois das férias de verão ele tem morado na sua casa, então...
Nos contatos do jardim de infância, os números de ambos os pais estavam registrados.
Como Sérgio não queria que os problemas entre ele e Clarice afetassem a criança, sempre concordou com isso calado.
— Entendi. Amanhã mando o Éder lá.
O Bernardo, desde pequeno, era travesso e não tinha nenhum foco nas coisas que fazia.
Desde que começou no jardim de infância, era confusão toda hora.
Sempre era chamado pela professora.
Às vezes, porque pisou e quebrou o brinquedo de outra criança sem querer.
Às vezes, porque não fez a lição direito.
Ou por furar fila de propósito, ou chutar a bola e quebrar algum objeto do colégio.
Sempre que Éder voltava da escola, passava uma única mensagem para Sérgio.
A professora não aguentava mais.
Não adiantava doar quantos prédios fossem.
Sérgio então enviou o menino diretamente de volta para a antiga mansão.
Dona Helena Santana, só de olhar, já sabia o que estava acontecendo, e suspirava.
— Ai, me diz, por que essa criança não dá um minuto de sossego?
Sérgio já tinha limpado a barra do garoto inúmeras vezes, já estava cansado.
— Vamos transferi-lo para um internato infantil.
Ao ouvir isso, os olhos de Bernardo se encheram de lágrimas.
— Biza, eu não quero ir, se eu for ninguém vai me querer, não vou ter o que comer, buááá, eu não quero ir.
Sérgio observou Bernardo com um olhar gélido.
— Internatos infantis também são particulares, não existe isso de não ter o que comer.
A vida inteira, Dona Helena Santana só ficava com o coração mais mole conforme envelhecia.
Na época em que Sérgio era criança, o filho e a nora ainda estavam vivos, então ela conseguia até não se intrometer muito.
Mas agora não tinha coragem.
— Sérgio, olha, acho que o problema do Bernardo não vai se resolver só mudando de escola.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!