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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 298

Júlia não costumava deixar Dora sozinha em casa.

Até mesmo quando precisava trabalhar, pedia para Patrícia ou Tati cuidarem dela.

Mas hoje a situação foi inesperada.

— Dora, a mamãe vai dar uma olhadinha lá embaixo e já volta. Você fica assistindo desenho no quarto um pouquinho, pode ser?

Dora assentiu.

Júlia apertou a bochechinha fofa da filha.

Ligou o tablet e colocou no desenho animado.

Estava passando pela porta quando voltou, parou para pensar e pegou o cabo de vassoura na varanda.

Quando a porta do elevador abriu de novo, a luz de presença do corredor estava acesa.

Desde a vez em que viu Lucas e Júlia jantando naquele restaurante, Sérgio vinha acumulando uma angústia profunda, e agora batia com uma agressividade que beirava o descontrole.

Lucas também não estava aliviando, cada soco era certeiro.

— Sérgio, solta, ou eu chamo a polícia!

O cabo de vassoura que Júlia segurava entrou em ação; ela mirou nas brechas e cutucou Sérgio duas vezes com força.

Os dois se separaram por um instante.

Júlia correu imediatamente e ajudou Lucas a se levantar:

— Você está bem?

A expressão de preocupação dela ficou gravada nos olhos de Sérgio.

Júlia estava defendendo o Lucas!

Ele encarou aquele cabo de vassoura.

Sua costumeira calma imperturbável desmoronou por completo.

Nenhum dos dois suportava a presença do outro.

Os xingamentos eram os piores possíveis.

E na hora da briga física, não mediam esforços.

— Sérgio, se você não parar, eu ligo para a polícia.

Uma onda incontrolável de ciúme misturada com a amargura de não ser a escolha de alguém o atingiu com força.

Sérgio mal conseguia respirar.

Seu tom de voz foi gelado e cruel, cada palavra carregada de espinhos.

— Júlia, como você o defende, hein? Por acaso, está com medo de que as pessoas não descubram que o Lucas é o seu amante? Com medo de que os internautas não curtam o casalzinho?

Essa foi, provavelmente, a coisa mais nojenta que ele havia dito em toda a sua vida.

Mas Sérgio parecia um cachorro louco que havia passado fome por três dias e não largava o osso por nada.

Ele não suportava mais ver os dois com toda aquela intimidade.

Lucas abraçou Júlia pelos ombros.

A força de dois homens grandes era maior do que a de um boi. Júlia sentiu-se como a boneca que as crianças disputavam na sala de Dora.

— Solta! Não pode machucar o meu papai e a minha mamãe!

Bem no momento do impasse, Dora surgiu correndo pelas escadas de emergência.

Suando muito, ela abriu seus pequenos bracinhos, colocando-se na frente de Júlia e Lucas.

A voz doce e inocente perfurou os tímpanos de todos.

As palavras "papai e mamãe" soaram como facas, estraçalhando as defesas psicológicas de Sérgio.

Ele viu a própria esposa e filha no lado oposto ao dele.

Observou os rostos cheios de medo, de fúria e de asco que elas faziam para ele.

Quase teve a urgência de explodir aquele prédio inteiro!

Seus olhos se encheram de uma escuridão sem nome, exalando uma aura aterrorizante.

Sérgio encarava Júlia fixamente.

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