Júlia hesitou por um momento e atendeu.
A voz exausta de Lucas soou do outro lado; ele aparentemente ainda não sabia que Dora havia sido levada por Sérgio.
— Júlia, as operações do Grupo Franco no exterior tiveram um problema. O velho me mandou voar para lá e resolver. Vou ter que viajar.
Júlia olhou de relance para Sérgio.
— Volto em uma ou duas semanas, no máximo. Durante esse tempo, você e a Dora podem ficar no meu apartamento. Mandei a senha para o seu celular.
— Ah, e os assuntos da Império Mídia ficam nas suas mãos. O estúdio e a Patrícia vão cuidar bem de você.
Júlia agora tinha certeza absoluta de que havia o dedo de Sérgio nisso.
Lucas provavelmente estava com pressa, terminando aquelas frases e se preparando para embarcar.
Sérgio soltou Júlia, apoiando ambas as mãos no chão.
— Lucas vai viajar para o exterior, não vai?
— O que diabos você fez? — perguntou Júlia.
Sérgio não respondeu a pergunta. Apenas falou consigo mesmo:
— Eu garanto que, depois dessa viagem, Lucas não vai conseguir voltar.
Ao ouvir isso, o coração de Júlia apertou e ela imediatamente ligou de volta.
Mas do outro lado da linha apenas uma mensagem de que não era possível completar a chamada.
Sérgio sentiu um aperto no peito ao ver a expressão de tensão de Júlia.
— Fique tranquila. Eu não mataria ninguém em plena luz do dia. É apenas o patriarca da família Franco que vai confiscar os documentos dele.
Júlia respirou aliviada.
— Mas, se você deixar minha filha chamá-lo de pai de novo, as coisas podem mudar de figura.
Sérgio se levantou, a dor em seu tornozelo se fazendo notar.
Ele soltou um leve sibilo de dor.
E, com calma, guardou o exame de DNA e pegou a bolsa de Júlia.
— O que você vai fazer agora?
Sérgio apertou os lábios:
— Voltar para o Solar Santana. Levar você para ver a Dora.
Júlia o ignorou, puxou a bolsa da mão dele e virou-se para sair.
Sérgio só pôde sorrir amargamente e segui-la, mancando.
Já era noite quando os dois chegaram ao Solar Santana.
Dona Eunice havia preparado o jantar.
Sérgio caminhou até Dora e se agachou:
— Dora, este é o presente que o papai queria te dar da última vez.
Ao vê-lo, Dora imediatamente se encolheu e escondeu-se atrás de Júlia.
— Mamãe, não quero o presente desse moço. Vamos para a nossa casa, por favor?
A dor cortante no peito de Sérgio voltou com tudo.
Ele agachou-se ainda mais e explicou à criança:
— Você e a mamãe não vão voltar para a sua antiga casa. A partir de agora, vão morar na casa do papai.
Ao ouvir isso, a expressão de Dora encheu-se de pânico.
Ela levantou os olhos para a mãe.
Júlia franziu a testa, os lábios apertados em silêncio.
Sérgio era um homem de palavra. Antes do divórcio, ela acreditava que houvesse um limite para as atitudes dele.
Mas, depois de ter vivido o cárcere nas mãos dele, Júlia entendeu a verdade.
Quão limpas poderiam ser as mãos de um empresário que, logo após se formar, tomou o poder dos mais velhos de sua própria família?
No passado, Júlia simplesmente via a vida por trás da lente do amor, ignorando completamente as origens e os métodos de Sérgio.

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