Entrar Via

Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 318

Sérgio Santana também não entendia o que estava acontecendo.

Ele forçou a maçaneta e curvou-se para examinar o mecanismo.

— Parece que o cilindro da fechadura quebrou.

Júlia Guedes franziu as sobrancelhas, cruzou os braços e ficou observando-o encenar.

Sérgio Santana deu um sorriso desamparado:

— É sério. Você já está aqui dentro, que motivo eu teria para trancar a porta? Deve ser porque a mansão já é antiga e o trinco desgastou com o tempo.

Ele ligou para uma empresa de chaveiros.

Depois avisou a Dona Eunice sobre o problema, pedindo-lhe que ficasse de olho em Dora um pouco mais.

Terminadas as providências, sentou-se na beira da cama, lado a lado com Júlia.

Os dois permaneceram em silêncio absoluto.

Sérgio lançou um olhar furtivo para Júlia.

Surpreendentemente, sentia-se até feliz com a situação.

Antes, não fazia ideia de que apenas estar ali com ela, sem fazer nada, pudesse lhe trazer tanta paz.

— Júlia, veja só... a rotina é sempre cheia desses pequenos imprevistos. Com mais alguém ao lado, a Dora terá uma dose extra de cuidado.

Fez uma breve pausa e assegurou com convicção:

— Estou sendo sincero.

Desde que retornara à mansão, Júlia se mantinha isolada e impassível. Era raríssimo terem um momento a sós.

A noite já caíra e a escuridão tomou conta do quarto, iluminado apenas pela fraca luz do abajur.

Júlia não tinha a menor vontade de levantar para acender as luzes principais; parecia um pequeno animal assustado que acabara de adentrar em território alheio num zoológico, recusando-se a mover um músculo.

A iluminação amarelada lembrava o cenário de um filme rodado em película antiga.

Relembrando o que ela dissera na porta do cinema, Sérgio Santana não resistiu em quebrar o silêncio.

— Eu sei que no passado... cometi inúmeros erros. Deixei que me manipulassem contra você, causei-lhe dor e sei bem o quanto sofreu quando foi para o exterior tentar dar à luz.

Ele não tinha facilidade em abrir seu coração.

Por conta disso, sua voz ressoava mais grave e as palavras saíam com lentidão.

— Minha intenção nunca foi roubar a guarda da menina de você. Foi um meio, não o objetivo. Eu só queria que você voltasse para o meu lado, para que eu pudesse, de algum modo, compensar a você e a Dora por tudo.

O discurso até soava plausível.

E vê-lo assim, com a cabeça baixa e uma postura vulnerável, causava em Júlia uma incômoda sensação de estranheza.

O problema é que o dano já estava enraizado.

Júlia disse tudo com uma calma assustadora.

Sem lágrimas, sem gritos, sem ataques de fúria.

Apenas como se narrasse a tragédia de um estranho qualquer.

Uma lacuna fria instalou-se no peito de Sérgio Santana.

Aquele abismo o feria muito mais que qualquer xingamento.

Seus olhos começaram a arder, lutando contra o pranto.

Quando a tela de um celular se iluminou no breu, a visão de Sérgio já se encontrava turva e dolorida.

O toque vinha do aparelho de Júlia.

— Não atenda.

Sua voz soou rouca e suplicante:

— Por favor, não atenda...

O nome de Lucas Franco piscava na tela intermitentemente.

Júlia desprendeu-se dos dedos dele, arrancou o aparelho da sua mão.

Assim que a imagem de Lucas surgiu no vídeo, um suspiro de alívio escapou-lhe dos lábios.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!