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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 325

Clarice Cardoso mordeu o lábio inferior e se aproximou com passos lentos e elegantes.

Ela ergueu o olhar para Sérgio Santana, uma troca repleta de emoções complexas, sendo a principal delas o ressentimento.

Júlia Guedes pegou o copo de água com limão e deu um pequeno gole.

Sérgio, porém, apressou-se em evitar qualquer mal-entendido, desviando o olhar rapidamente e até mesmo movendo sua cadeira para mais perto da de Júlia.

— Sérgio, faz muito tempo que não participo deste tipo de evento. Como somos duas mulheres, gostaria de colocar o papo em dia com a Júlia.

Júlia lançou um olhar frio para Clarice:

— Não tenho nada para colocar em dia com a Senhorita Cardoso.

Segundo as regras de etiqueta dos jantares ocidentais, homens e mulheres deveriam sentar-se intercalados.

Clarice, é claro, entendia disso, mas preferia incomodar Júlia a sentar-se ao lado de Leonel Guerra.

E se o Sérgio percebesse algo suspeito?

— Senhorita Cardoso, o que gostaria de comer?

Clarice estava como se estivesse sentada sobre alfinetes:

— Qualquer coisa... Tudo bem. Sérgio, peça por mim, por favor.

Sérgio sequer ergueu as pálpebras.

Ele apenas proferiu uma frase de cortesia:

— Sr. Guerra, cuide da dama à sua direita.

Essa era a regra.

O rosto de Clarice empalideceu.

Os três começaram conversando sobre os futuros desafios do projeto e as formas de lucro.

Certas coisas só podiam ser extraídas com sinceridade longe da mesa de negociações.

Clarice não entendia absolutamente nada.

Sua formação era em design; de gestão, ela conhecia apenas o básico do básico e nem sequer estava participando daquele projeto.

Leonel, vendo que ela não conseguia se intrometer na conversa, inclinou-se de propósito para sussurrar em seu ouvido.

Clarice se esquivava repetidamente, morrendo de medo de que Sérgio notasse.

Sérgio não prestava a menor atenção neles. Ao ver Júlia abrir a carta de vinhos, aproximou-se e disse:

— Não peça esses.

Ele acenou, chamando o garçom.

— O vinho tinto que deixei guardado aqui, mande aquecê-lo.

Sérgio participava de compromissos sociais com frequência o ano todo, não sendo um estranho a nenhum restaurante ocidental de renome na Cidade N.

Às vezes, ele abria propositalmente bons vinhos, marcava seu nome e os deixava guardados.

O garçom, ao ouvir aquilo, até mudou de semblante.

Clarice mordeu o interior de sua própria bochecha.

O olhar dela estava fixamente pregado no prato à sua frente; ela não ousava respirar, nem tampouco fazer movimentos bruscos para se esquivar.

Leonel sorria, batendo no copo de vinho com os dedos em um ritmo que acompanhava a sua outra mão.

A toalha da mesa ocultava a imundície e a ambiguidade.

As vozes das conversas ao redor e o que acontecia debaixo da mesa pareciam pertencer a dois mundos diferentes.

Vergonha, terror, pânico — uma miríade de emoções atacava incessantemente os nervos de Clarice.

Ela agarrou a toalha da mesa com força.

Os copos de vinho e os talheres de todos emitiram um tilintar leve, soando extraordinariamente abrupto no interior do restaurante.

Vários olhares se voltaram todos de uma vez em sua direção.

O sangue no corpo de Clarice quase fluiu na direção contrária.

Ela encontrou os olhares de Sérgio e Júlia, não ousando demonstrar nem um pingo de descontrole.

Com as unhas cravadas profundamente nas palmas das mãos, ela estabilizou seu estado de espírito e esboçou um sorriso de desculpas.

— Com licença, vou dar um pulo no banheiro.

Leonel observou a silhueta em fuga com um sorriso malicioso.

Mulheres, afinal, as roubadas sempre tinham um sabor melhor.

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