Um bom tempo depois de Leonel retornar, Clarice finalmente voltou ao seu lugar.
O jantar levou mais tempo do que o previsto.
Júlia olhava o relógio repetidamente, com vontade de fazer uma ligação.
Sérgio notou imediatamente e disse em voz baixa: — Hoje foi a Tati quem levou a Dora para a aula de piano, a Assistente Ding também foi buscá-las e elas devem estar chegando ao restaurante.
— A própria Assistente Ding perguntou à Dora para onde ela queria ir depois da aula, e a criança disse que queria esperar pela mãe.
Júlia franziu a testa: — Sérgio, você está tomando decisões por conta própria de novo.
Ela perguntou com frieza: — Antes você me usava como desculpa para sair mais cedo dos lugares, e agora a desculpa virou a Dora, é isso?
Sérgio não esperava que ela dissesse aquilo.
Parecia que, aos olhos de Júlia, ele era apenas um homem calculista.
— Eu só queria que a Dora se familiarizasse mais rápido...
— Se familiarizasse com o quê?
Júlia perguntou com certa irritação: — Se familiarizasse com o fato do pai dela sentar na mesma mesa que a amante e a mãe, e todos fingirem que somos uma grande família feliz?
Sérgio foi atingido pelo tom frio e exausto dela.
Ficou sem palavras por um momento.
— Ela não precisa disso.
Se não estivessem em um restaurante, Júlia certamente teria começado uma briga com Sérgio.
Leonel sorriu e disse: — Então o Diretor Santana e a Senhorita Guedes têm uma filha.
— Só me lembrei agora, vi nos assuntos mais comentados da internet dias atrás.
— Os internautas disseram...
Ele sorriu, passando o olhar pelo rosto das outras três pessoas.
Júlia estava ligando para a Assistente Ding.
Queria pedir para ela pegar a criança e ir direto para casa; mesmo que já estivessem no restaurante, não precisavam subir.
Mas já era tarde demais.
A Assistente Ding se aproximou da mesa de mãos dadas com Dora.
Ao ver isso, o rosto de Clarice se contorceu, assumindo uma palidez doentia.
Leonel pareceu bastante interessado: — Então você é a garotinha que estava nos assuntos do momento há dois dias.
— Que linda!
Ele acenou, sorrindo de orelha a orelha: — Venha cá, deixe o tio te dar um abraço.
Sérgio não fazia ideia do quão absurda era a vida privada de Leonel.
Mas Júlia quase havia provado na própria pele.
Júlia viu a expressão curiosa no rosto da filha.
Encostada no corpo de Sérgio, ela o cheirou, tocou seu peito e depois sua cintura.
Parecia feliz em explorar aquele novo pai.
Júlia sentiu-se ainda mais em dívida com a filha, então não disse nada.
Clarice ficou com as mãos vazias.
Ao ver a expressão gentil de Sérgio, ela quase morreu de ciúmes por dentro.
Bernardo também havia sido enviado para a mansão principal para ser criado no passado.
Mas quando é que Sérgio não se mantinha distante, largando a criança com a babá?
Se dissesse apenas uma palavra errada, ele já exibia uma expressão de impaciência.
Por que a filha de Júlia era tratada como algo tão precioso?
Por que Sérgio precisava exibir um olhar de tanto apreço?
Leonel falou: — Puxa, estou até com inveja do Diretor Santana.
— Ao contrário de mim, que já passei dos trinta e não tenho herdeiros.
Ele sorriu, olhando para Clarice.
— Quem sabe eu não procuro alguém para ter um filho também?

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