Durante a refeição, Clarice sentiu-se como se estivesse sentada sobre alfinetes, desejando poder descer e ir embora imediatamente.
O motorista de Clarice já havia levado a criança de volta para a mansão principal.
Depois que Sérgio e Júlia foram embora, Leonel perguntou a Clarice se ela queria que ele a levasse para casa.
Aquele olhar carregava um significado profundo.
Oferecer-se como voluntário num momento como aquele era como ter uma caixa de preservativos no bolso e perguntar se poderia subir para uma visita.
Clarice fechou a cara e disse com ferocidade: — Nossa relação terminou há muito tempo. Se continuar me importunando, farei com que se arrependa.
Leonel apertou o próprio queixo com dois dedos.
— Não me diga que é porque você tem uma criança em casa?
O coração de Clarice deu um salto: — Do que você está falando?
Leonel encostou-se no carro de luxo: — Quem diria. Uma pervertida como você se importa tanto com o filho. Eu vi os assuntos do momento na internet. Dizem que a sua criança é um filho bastardo da família Santana.
Os lábios de Clarice se apertaram inconscientemente, e ela levantou a mão para ajeitar alguns fios de cabelo atrás da orelha de forma atabalhoada, mas na verdade, tentava esconder os dedos trêmulos.
— Isso é assunto meu e do Sérgio. É melhor você ficar longe de mim. Não sou o tipo de mulher fácil de manipular como a Júlia!
Ao terminar de falar, abriu apressadamente a porta do carro e afivelou o cinto de segurança.
Sérgio apertou o cinto de segurança de Dora.
— Tio papai, por que você não volta para casa no seu próprio carro?
Sérgio ajustou o espelho retrovisor.
— Porque é mais seguro com a Dora sentada atrás.
Após o jantar.
Sérgio mandou Éder e o motorista irem embora no carro vazio e, com a maior cara de pau, entrou no carro de Júlia para atuar como motorista.
O Volkswagen Phaeton que Júlia tinha antes de ir para o exterior havia sido vendido, e o carro novo dela não era caro.
Sérgio olhou para o espaço reduzido dentro do carro, que estava repleto de artigos infantis.
Ele quase conseguia imaginar como havia sido para Júlia criar uma criança sozinha no exterior.
Júlia e Dora sentaram-se no banco de trás, deixando o assento do passageiro vazio, como se Sérgio fosse apenas um motorista comum.
Mas ele próprio não parecia se incomodar com isso.
— Vou mandar um carro para você.
— Não precisa.
— Tio papai...
Dora havia subido para o quarto, mas desceu correndo, com as pantufas fazendo pequenos ruídos pela escada.
— Você pode me ajudar a soltar minhas trancinhas? A mamãe foi tomar banho.
Sérgio ficou extremamente em apuros.
Ele nunca havia feito aquilo antes.
Mas vendo a filha abraçando um pequeno espelho rosa, com um rosto cheio de expectativa, não teve coragem de recusar.
Dona Eunice disse enquanto limpava a mesa: — Parece que a pequena senhorita gosta muito do senhor.
Se não, por que ela não procuraria outra pessoa?
Aquela única frase encheu Sérgio de energia.
Sérgio fechou seu e-mail de trabalho, largou o tablet e deu um leve tapinha no sofá: — Venha aqui.
Era a primeira vez que Dora fazia um pedido ao tio papai.
Ela se aproximou lentamente, arrastando os pés.

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