Ao ouvir isso, Clarice Cardoso elevou a voz, soando áspera e apressada.
— Claro que não!
— Como o Bernardo poderia ser o seu filho?
Leonel Guerra observou atentamente a expressão de Clarice Cardoso por um longo tempo.
Tanto que até os berros de Bernardo Santana cessaram.
— Que bom que não é.
— A senhorita Cardoso deve saber que, entre nós, fomos apenas adultos em busca de diversão, e seria péssimo se isso acabasse gerando problemas — disse Leonel Guerra com um sorriso.
— Mas é claro — respondeu Clarice Cardoso, endireitando as costas e erguendo o queixo.
Terminado o assunto sério, Leonel Guerra voltou a exibir seu tom malicioso.
— Não vai me convidar para ficar?
— Não diga bobagens! — disparou Clarice Cardoso, lançando-lhe um olhar fulminante enquanto abraçava a criança.
Em consideração à criança, Leonel Guerra não insistiu.
Mas havia algo que Clarice Cardoso não sabia.
Assim que Leonel Guerra desceu as escadas, a primeira coisa que fez foi ligar para o próprio assistente.
— Vou te enviar uma gravação e quero que você faça um favor para mim... Isso, você sabe, eu odeio problemas.
Outro que também odiava problemas era Sérgio Santana.
Ele ordenou que o secretário Éder organizasse todos os documentos.
— Dentro de três dias, envie-me toda a estrutura acionária da empresa e a lista de membros ligados às famílias secundárias e terciárias, incluindo os registros de votação das assembleias passadas do conselho.
— Depois que preparar isso, vá pessoalmente ao laboratório e certifique-se de pegar os resultados do exame de DNA.
O secretário Éder respondeu afirmativamente.
Sérgio Santana passou a noite toda fazendo hora extra na empresa e, perto do meio-dia, não pôde deixar de apertar o próprio estômago dolorido.
— Vou pedir para o assistente pedir o almoço imediatamente.
Sérgio Santana assentiu, lembrando-se de outro assunto.
— E quanto às informações da Júlia no exterior que pedi para você investigar, como estão?
— Já enviei para o seu e-mail — respondeu o secretário Éder. — Descobri o hospital onde a senhora fez o pré-natal e soube que ela teve alta no terceiro dia após o parto.
— Nos primeiros seis meses após o nascimento da filha, a senhora não esteve com ela. A bebê foi deixada sob os cuidados de uma amiga, a senhora Patrícia Prado, sob a supervisão das agências de bem-estar locais e do conselho tutelar.
— Por quê? — perguntou Sérgio Santana, franzindo as sobrancelhas ao ouvir isso. — De acordo com as leis do exterior, esse procedimento só é ativado quando os pais perdem a capacidade de tutela.
Será que Júlia enfrentara problemas ao dar à luz?
Ou seria apenas o medo de que ele fosse atrás dela no exterior?
— Como essa parte envolve sigilo médico, não consegui descobrir. Falhei na minha função — disse o secretário Éder, curvando-se levemente.
Sérgio Santana acenou com a mão.
A tal privacidade inalcançável, na verdade, devia-se apenas à falta dos contatos certos.
Ele pretendia investigar aquilo por conta própria.
— Sobre algumas das decisões que o senhor tomou pela empresa, será necessário avisar a senhora? Afinal... — indagou o secretário Éder.
Ele hesitou ao chegar a esse ponto.
Como secretário, não deveria se intrometer, mas durante todos esses anos, a obsessão do Diretor Santana pela esposa era evidente aos seus olhos.
— Afinal, a senhora odeia ser manipulada.
Sérgio Santana ficou em silêncio ao ouvir isso.
As palavras que ele dissera anteriormente a Lucas Franco também serviam para ele.
Antes de resolver definitivamente os problemas com Clarice Cardoso e com sua própria família, que direito ele tinha de tentar reconquistar Júlia?
Iria permitir que Clarice Cardoso aparecesse na porta repetidas vezes, fazendo escândalos e fazendo com que Dora e Júlia fossem injustiçadas?
— O fim do nosso casamento foi um erro meu, fui cega e mereço o que estou passando. Mas, se pretendia deixar a Dora de lado, você não deveria ter agido como se estivesse determinado a ficar com ela desde o começo.
Sérgio Santana sentiu os lábios secarem.
— Eu não tinha a intenção de deixá-la de lado.
Júlia estava profundamente decepcionada.
No passado, ela sempre hesitara sobre a difícil escolha de permitir ou não que a filha aproveitasse a presença de um pai.
Agora, Sérgio Santana mais uma vez lhe entregara a resposta.
A mesma resposta de sempre.
Quando as opções estavam sobre a mesa.
Sérgio Santana sempre escolheria Clarice Cardoso e, consequentemente, a criança dela.
Júlia já havia conseguido reunir algumas evidências de que Sérgio Santana era incapaz de criar uma criança.
Restava apenas o passo mais importante.
Tinha que encontrar um jeito de conseguir as provas de seu cárcere privado na Mansão da Encosta, ou as gravações e documentos do acordo em que Sérgio Santana rejeitara ter filhos no passado.
Isso justificaria por que ela escondeu a gravidez, comprovando que Sérgio Santana não deixara de cumprir seus deveres por ignorância, mas porque, no fundo, ele nunca quis ser pai.
Com isso, Sérgio Santana não teria a menor chance de vencer o processo.
Na manhã seguinte, Júlia deparou-se com uma postagem de Clarice Cardoso nas redes sociais.
Na foto, Bernardo Santana estava vestido com um pequeno terno de adulto.
Ele estava sentado de forma elegante em um café, segurando um copo de leite.
Clarice Cardoso: [Trabalhando com meu filhão hoje~ O ar-condicionado da empresa é super gelado. Como eu imaginava, gestão de negócios é algo que se ensina pelo exemplo, desde pequeno. foto_fofa.jpg]
A localização marcava uma cafeteria.
Júlia reconheceu de imediato que era o café localizado no andar térreo da sede do Grupo Oceano Internacional.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!