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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 363

Dora notou a sombra e virou a cabeça.

Sérgio já havia arrancado rapidamente o próprio relógio do pulso.

Como se tivesse medo de que Júlia mudasse de ideia e não quisesse mais presenteá-lo.

— É o Tio Papai.

— Onde está a moça que cuida da casa? Quem deixou você subir? — perguntou Júlia.

Sérgio levou a mão aos lábios e pigarreou.

— Júlia, obrigado.

?

Júlia não fazia a menor ideia do que ele estava agradecendo.

Sua expressão revelava uma confusão total.

Sérgio, por outro lado, transbordava de expectativa.

Ele se lembrava de como, no passado, em seus aniversários, Júlia sempre pensava em mil formas de agradá-lo. Às vezes era uma gravata, às vezes uma caneta cara.

Sérgio costumava dizer na época: "Eu não gosto de comemorar aniversários. Não faça coisas desnecessárias."

Júlia sempre sorria com doçura.

Ela abaixava a cabeça, sem parecer nem um pouco a grande estrela das telas.

Com uma voz sedutora e melosa, dizia:

"Festejar seu aniversário me faz feliz."

"E, afinal, esses presentes não são caros, só deram um pouquinho de trabalho."

Sérgio ainda conseguia lembrar vividamente como ela era naquela época.

Seu olhar era sempre cheio de admiração, calor e um nervosismo oculto.

Sérgio sentiu a garganta secar.

— Obrigado... pelo presente de aniversário.

Ao ouvir isso, Júlia ficou perplexa por um momento.

Acendeu a tela do celular e deu uma olhada.

— Ah, então o aniversário do Tio Papai também é neste mês? — perguntou Dora, inclinando a cabeça.

O sorriso de Sérgio congelou no rosto.

Como assim "também"?

Quem mais faz aniversário?

Júlia guardou o presente na gaveta.

Ao menos manteve as aparências e poupou o rosto de ambos.

— Você já deve ir embora.

Sérgio sentiu uma pontada na testa.

Uma expressão de pura descrença tomou conta de seu rosto.

Ele tinha uma leve desconfiança.

Mas desconfiar era uma coisa, aceitar era outra.

A sua filha seguia o mesmo exemplo.

Bom, muito bom!

— É assim que você ensina a criança a tratar um estranho como pai?

— Então é por isso que a Dora gosta do Lucas e não gosta de mim, é isso?

— Você fez de propósito, para eu ver, para me deixar magoado, para se vingar de mim, não é?

A voz de Sérgio estava rouca.

Cada palavra soava como papel lixando um vidro fosco.

Como se fosse quebrar a qualquer momento.

A raiva de Júlia também subiu à tona.

— Por que você está fazendo escândalo sem motivo?

— Alguém te disse que ia te dar um presente?

Júlia balançou a cabeça. Realmente achava tudo aquilo um absurdo completo.

— O que foi que você andou bebendo pra se embriagar a esse ponto? Quem você está tentando comover vindo até aqui em um dia de chuva? Fui eu que mandei você entrar e ver tudo isso?

Júlia apertou a mãozinha da filha para consolá-la.

Agachou-se e recolheu todas as coisas que haviam caído no chão.

Pegou a filha e a prancheta de desenho nos braços, seguindo para outro cômodo.

Dora apoiou o queixo no ombro da mãe.

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