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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 364

— Mamãe, você vai voltar para aquele quarto? Você vai brigar?

Ver a expressão cautelosa de Dora fez o coração de Júlia doer.

Ela não queria deixar na filha a impressão de que seus pais só sabiam brigar.

Queria se livrar de Sérgio o mais rápido possível.

Júlia ajeitou a filha e depois voltou.

Sérgio continuava parado ali, de braços caídos, encarando o relógio sobre a mesa em silêncio.

De repente, ele começou a forçar o relógio no próprio pulso.

Mas aquele tipo de item é feito sob medida; não servia para ele.

Além disso, aquele estilo extravagante e cheio de brilho não era o que ele costumava gostar.

Quanto mais Sérgio tentava, mais percebia o quanto a realidade era dolorosa.

Ele queria quebrar tudo em pedaços.

Se aquele relógio não existisse, se Lucas Franco não existisse, Júlia ainda seria sua.

Sérgio moveu levemente a ponta dos dedos, mas conteve-se para não cometer um ato extremo.

Sua educação não permitia agir de tal forma.

— Então, você realmente pretende aceitar o Lucas, não é?

Júlia não respondeu.

Apenas se aproximou em silêncio e tirou o relógio do pulso dele com firmeza.

Esse gesto fez Sérgio sentir como se fosse uma espécie de monstro, um intruso que visita a casa dos outros e secretamente satisfaz sua vaidade com os pertences valiosos dos donos.

Sérgio não conseguia suportar aquele silêncio.

Ele preferia que Júlia gritasse com ele.

— O meu aniversário também está chegando. O que você pretende me dar?

Sérgio continuou a perguntar com obstinação.

— Nunca te deixei faltar nada material. No seu aniversário, eu sempre te dou presentes.

Embora fosse o Éder quem comprasse.

Mas ele sabia que ela fazia aniversário e se lembrava da data.

Júlia ergueu a cabeça e encontrou um par de olhos avermelhados.

— Você só vai embora depois de ganhar um presente, é isso?

Sérgio sentiu um alívio no coração.

Se Júlia dizia isso, talvez ela também tivesse preparado algo para ele.

Só não tinha tirado do esconderijo ainda.

Sérgio arregalou os olhos.

Uma memória morta ressurgiu de repente.

Ele entrou em pânico.

— Eu... Eu não fiz por mal...

Júlia assentiu com a cabeça.

— E eu também não fiz por mal.

— Então vamos nos entender e parar de torturar um ao outro. Pelo bem da nossa filha, eu imploro, vá embora.

O rosto de Sérgio queimava.

Talvez fosse a febre que estivesse subindo.

Ou talvez fosse a lembrança do passado, que não o deixava ter onde esconder a cara de tanta vergonha.

Um turbilhão de emoções, acompanhado por um remorso tardio, cortava seu peito como uma lâmina implacável.

Sérgio nunca em toda a sua vida havia passado por tamanho grau de humilhação.

Ele pegou as abotoaduras e apertou as mãos com tanta força que...

as pontas metálicas furaram sua carne.

E o sangue começou a escorrer por entre seus dedos.

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