Aquela era a segunda vez que Júlia ouvia da boca de outras pessoas que a aparência de Sérgio não estava boa.
Ela lançou o olhar através da multidão.
Sérgio vestia uma roupa antiga, que Júlia havia comprado quando ainda nem estavam divorciados.
A roupa que antes servia perfeitamente nele agora parecia larga.
Ao redor da cintura, o tecido sobrava bastante.
Ele sorria, mas o seu semblante realmente não parecia dos melhores.
O moletom de gola alta preto ressaltava ainda mais a palidez de sua pele, fazendo-o parecer um desenho a lápis que teve todas as cores drenadas.
Júlia abriu a boca para falar algo, mas tornou a cerrar os lábios.
Sérgio, porém, captou a expressão franzida que se formou no rosto dela.
O problema é que havia tantos fãs ali que ela não conseguia passar.
Sérgio tirou o celular do bolso.
Alguns segundos depois, Júlia viu a tela do próprio aparelho acender com uma chamada dele.
Ela ergueu a cabeça e notou que Sérgio estava inclinando a cabeça levemente, num gesto inquisitivo.
— Alô.
Ao ver que ela atendera, Sérgio não pôde deixar de abaixar a cabeça e sorrir.
Com uma voz grave e calorosa, ele perguntou:
— O que você ia dizer? Eu estou ouvindo.
Pelo fone, a voz da pessoa soava ligeiramente diferente.
Júlia teve a ilusória sensação de que ele sussurrava bem colado em seu ouvido.
Apressou-se em afastar um pouco o celular da orelha.
— Você parece mal... Como se não dormisse há semanas.
Uma risada baixa ecoou em seu ouvido.
Júlia segurou o aparelho com mais firmeza:
— Tá rindo do quê? Estou preocupada que você não consiga cuidar bem da menina!
— Eu sei, eu sei.
— Se está tão preocupada com os meus cuidados com a Dora, que tal fazermos uma videochamada todo dia?
Júlia praguejou intimamente.
Ela não devia ter perguntado nada.

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