— De quem você está falando?! — o rosto de Dona Helena fechou.
— E eu menti? A Júlia é a amante, a internet inteira já não sabe disso? — Tia Simone deixou escapar pela boca grande.
A velha senhora bateu na mesa, irritada.
— Mas é a Júlia quem quer mandar notificação processando a nossa família, eu não menti... — Tia Simone choramingou.
Sérgio repousou o garfo de forma calculada.
Dona Helena tentou se levantar, vacilou, e despencou para trás.
Júlia foi a mais rápida: — Vó!
Dona Helena tremia levemente os dedos.
O tio mais velho deu um empurrão brutal em Júlia: — Sai da frente, que encosto! Mãe! Acorda, mãe!
Houve um pânico generalizado; a velha senhora foi carregada por enfermeiros para um cômodo ao lado, esperando a ambulância chegar.
Júlia tentou entrar, mas alguns membros da família bloquearam o caminho.
— Foi você quem fez ela passar mal de tanto estresse. Como ousa tentar entrar? É muito azar ter você aqui!
A raiva subiu em chamas dentro de Júlia. Mas não havia nada que pudesse dizer para revidar. Afinal, Dona Helena não tinha nenhum laço de sangue com ela.
Os seus lábios tremiam de leve.
E naquele momento, ela se deu conta de que o único a quem poderia pedir ajuda era Sérgio.
— Sérgio, me deixa ver a avó rapidinho. Assim que eu ver, eu vou embora.
— Você não pode entrar — Sérgio calou-se por um instante, e então sua atitude foi implacável.
— Sérgio Santana! — disse Júlia.
Ele estava um pouco incomodado, mas ao ver os olhos vermelhos da esposa, sentiu um incômodo no peito.
— Eu sei que você tem uma parcela de culpa no que aconteceu, mas não foi de propósito. Eu não te culpo. Vá para casa — ele abaixou o tom de voz involuntariamente.
As palavras travaram na garganta de Júlia, e, por um instante, ela quase sentiu ódio de Sérgio.
Quando a ambulância chegou, Clarice colou no lado de Sérgio e disse docemente: — Sérgio, deixa eu ir junto, vai ser difícil para as enfermeiras fazerem os exames sem a presença de uma garota, sabe como é.
— Pode ser — ele assentiu.
Ao ouvir aquilo, Júlia apertou os lábios, reprimindo o pranto trêmulo.
Todos os que conheciam a situação conjugal do Diretor sabiam que Júlia o amava perdidamente.
Éder lembrava-se da vez em que o Diretor pegou uma febre alta na casa de campo e não tinha farmácia lá; a senhora saiu do centro da cidade, às três da manhã, e viajou até o sol raiar para levar o remédio.
Mas, não importava o quanto estivesse pasmo por dentro, por fora continuava sendo um excelente profissional.
— Certo. Entregarei ao Diretor Santana assim que puder — Éder olhou o relógio: — A senhora quer que eu chame um carro?
Júlia recusou a gentileza e foi embora da mansão em seu próprio carro.
Antes de entrar na rodovia, viu pelo retrovisor que estava sendo seguida por outro veículo.
O carro de trás estava com os vidros escancarados, uma lente imensa apontada para fora e alguém gritando: — Júlia, olha pra cá!
Júlia foi obrigada a pegar uma saída antes da hora, mas não imaginava que os fotógrafos queriam dinheiro mais do que valorizavam a própria vida, fechando-a no meio do caminho.
E com um estrondo violento...
Ela sentiu a carroceria tremer com força; de repente, o airbag saltou sobre seu rosto e uma densa fumaça branca surgiu do nada.
Em seguida, o cheiro de sangue tomou o ar.

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