O rosto de Sérgio virou para o lado e ele ficou imóvel por um segundo.
Como se não esperasse por aquilo.
Com a testa franzida, ele empurrou levemente a parte dolorida do rosto por dentro com a língua.
Júlia o empurrou e voltou para o próprio quarto.
Ela passou a noite inteira sentada na cama, sem fazer absolutamente nada.
Apenas sentindo a luz da lua atravessar a janela, projetando a sombra dos postes de forma alongada e afiada como foices, que ameaçavam, mas nunca caiam.
Depois que Júlia foi embora, Sérgio ficou ali parado por um momento. Não sentiu um pingo de satisfação.
Apenas uma irritação latejante.
Ele retornou ao seu quarto, não tomou banho, e acabou pegando no sono pesado embalado pelo álcool.
No dia seguinte, partiu para a empresa sem ao menos tomar o café da manhã.
Não queria olhar para a cara de Júlia.
Júlia também não queria respirar o mesmo ar que ele debaixo daquele teto.
Ela arrumou as malas e saiu da mansão da família, usando o trabalho como desculpa e prometendo à avó que voltaria com frequência.
Dona Helena não sabia sobre a discussão da noite anterior.
Mas tinha certeza de que envolvia Clarice.
Ela procurou um detetive particular com quem já trabalhara antes e mandou investigar cada passo de Clarice, desde o período em que estudara fora do país até os eventos mais recentes.
Dona Helena não pôde evitar balançar a cabeça em reprovação.
Uma garota que comprou um diploma falso e que, durante os anos de estudo, ainda foi processada por plagiar o design dos outros — do que mais não seria capaz?
Enquanto a avó investigava Clarice.
Júlia investigava outro problema.
Ela pegou todas as suas joias na antiga casa.
Ao fazer um inventário, percebeu que, além do conjunto de esmeraldas, outras peças haviam sumido.
Júlia decidiu no mesmo instante:


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