Suas pernas fraquejaram e ela quase caiu no sofá.
O que fazer?
Ela não podia deixar as coisas seguirem esse rumo, não podia destruir um plano de tanto tempo de uma só vez!
Sérgio ficou surpreso e chocado.
No entanto, ele sempre foi bom em esconder emoções e rapidamente conteve sua expressão.
Será que ele realmente havia interpretado Júlia mal?
Sua expressão vacilou por um instante.
Clarice de repente começou a tossir, como se tivesse sido afetada pelo frio de instantes atrás.
Ela olhou fragilmente para Sérgio: — Sérgio, eu não imaginava que você realmente acreditaria nisso. Os assuntos da Oceano não podem esperar, isso não passa de uma tática para ganhar tempo.
Sérgio ficou em silêncio.
De fato, se o problema não fosse resolvido hoje, haveria um grande desastre.
Ele não duvidava totalmente de Júlia, mas o momento era muito conveniente.
Independentemente de essas provas serem reais ou não, o ataque à Oceano já era uma certeza.
Pensando nisso, ele não hesitou mais.
Caminhou até lá, desabotoou o paletó e sentou-se de frente para Júlia.
A aura ao seu redor estava assustadoramente pesada.
— Você falou agorinha sobre negociar.
Sérgio tinha uma expressão indiferente e distante: — Dê o seu preço.
O ambiente ficou repentinamente silencioso.
Júlia estava falando com gosto momentos antes.
Mas Sérgio sempre sabia como machucá-la mais profundamente.
Mesmo com as provas espalhadas pela mesa, ele ainda escolhia defendê-la.
E a autoafirmação pela qual ela havia se esforçado tanto não significava nada para ele.
Júlia sentiu a dor mais uma vez.
O coração parecia ter sido subitamente esmagado e, então, solto de forma abrupta.
Afinal, ser prejudicada por Clarice e ofendida pelos internautas não era nada.
O mais doloroso era que a pessoa em quem ela deveria confiar, mesmo sabendo que ela era inocente, ainda escolhia ficar do lado oposto.
A expressão de pânico de Clarice desapareceu em um instante.
Ela não conseguiu conter o sorriso nos cantos da boca: — É verdade, Júlia, dê o seu preço. Desde que você me deixe em paz, deixe a Oceano em paz, está ótimo. Mas não faça mais isso no futuro, é praticamente arriscar a vida por dinheiro.
Júlia conteve a amargura e disse friamente: — Até para ir ao hospital é preciso pagar antes do atendimento. Você me diz se o dinheiro é importante ou não? A diferença é que eu não sou como a Senhorita Cardoso, que é um saco de plástico voando conforme o vento, cheia de falsidade.
O rosto de Clarice ficou pálido de raiva.
Sérgio: — Fale um valor.
Júlia assentiu: — Certo.
— Os danos à minha reputação pela difamação da Clarice, o prejuízo econômico por ela ter roubado o projeto e a compensação psicológica por ela ter trocado meu tradutor na França. Não pode faltar nenhum centavo.
Sérgio acenou levemente com a cabeça, com uma aura de quem estava no controle da situação.
A postura de Júlia não perdeu em nada: — Mas, Sérgio, eu não quero um único centavo e muito menos tenho interesse nas ações da Oceano. O que eu quero são três coisas.
— Primeira: quero que Clarice esclareça publicamente que foi ela quem plagiou o meu projeto e quem comprou as tendências para me difamar.
Clarice foi jogada nos braços de Sérgio pelo impacto do tapa.
— Você não gosta de se jogar no marido dos outros? Este tapa foi um brinde, não precisa agradecer.
Clarice estava literalmente louca de raiva.
A pancada a deixou com um zumbido nos ouvidos.
Os dois lados do seu rosto ardiam.
Clarice se levantou, pronta para revidar ali mesmo.
As veias nas têmporas de Sérgio saltaram.
Com uma das mãos, ele as separou: — Chega!
Só então Júlia, segurando o pulso dormente, parou.
Ela olhou para Sérgio.
Nos seus olhos não havia medo, nem sensação de injustiça, nem mesmo a familiar decepção e tristeza.
Havia uma satisfação beirando a determinação implacável.
Sérgio ficou chocado com aquele olhar, o coração esvaziou-se.
Como se algo muito importante tivesse simplesmente escapado no ar.
A mulher à sua frente sempre foi frágil, dócil e sem temperamento aos seus olhos.
— Pronto, meus pedidos estão feitos.
Júlia deu um sorriso frio: — Quando Clarice terminar as duas primeiras coisas, eu naturalmente vou colaborar com suas relações públicas.
Ela apontou para a porta: — Agora peço que os dois saiam.

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