Um leve traço de irritação transpareceu no rosto de Sérgio.
Clarice sabia que as palavras de Júlia certamente não haviam sido agradáveis.
Ela deu um sorriso pálido: — Sérgio, volte primeiro. Eu garanto que conseguirei o perdão da Júlia e farei com que ela coopere com as relações públicas da Oceano. Confie em mim.
Após ouvir isso, Sérgio apertou levemente os lábios.
Ele segurava o celular com força; a atitude de Júlia o desagradava.
Era preciso admitir, Júlia sempre conseguia provocar suas emoções.
Já Clarice era como água apagando o fogo, uma florzinha branca balançando ao vento.
Suave, sensata, fazendo com que as pessoas sentissem pena instintivamente.
Ele não usaria uma garota como escudo.
Sérgio subiu ao sexto andar e tocou a campainha.
A porta foi aberta rapidamente.
Júlia vestia roupas de ficar em casa em tom bege, com o cabelo preso.
Sérgio olhou ao redor.
Notou que o apartamento não era grande, mas havia marcas de vida por toda parte.
O sofá e a luminária de chão tinham tons quentes.
Completamente diferente de sua mansão fria e impessoal.
Como se ali, sim, fosse um "lar" cuidadosamente decorado.
E o outro lugar, não fosse absolutamente nada.
Sérgio sentiu um leve desconforto no peito.
Clarice disse suavemente: — Júlia, vim pedir desculpas a você. A culpa sobre o assunto do projeto foi minha. A culpa foi por eu querer tanto ajudar o Sérgio, querer que a Oceano conseguisse esse projeto, quem diria...
Ela suspirou melancolicamente: — Eu ainda achava que os nossos objetivos eram os mesmos. Nunca imaginei que você se uniria ao Diretor Franco e não ajudaria o Sérgio. O que aconteceu hoje também passou dos limites.
Sérgio olhou para Júlia com um olhar sombrio.
Júlia deu um sorriso ambíguo e perguntou a Clarice: — Você não vai me dizer que acha que fui eu quem comprou as tendências negativas de hoje, que fui eu que, por querer rescindir o contrato, difamei a Oceano de propósito, vai?
Clarice ficou levemente atônita: — E não foi?
Júlia balançou os chinelos e voltou a se sentar no sofá, como uma professora particular olhando para uma aluna encolhida à sua frente.
— Claro que não. Da última vez na empresa, o Diretor Santana já havia concordado com a rescisão. Independentemente de ressentimentos pessoais, pelo menos no quesito reputação comercial, eu confio nele.
Ao ouvir isso, a expressão de Sérgio tornou-se complexa.
— Além disso, agora eu tenho empresa, tenho meu próprio estúdio, tenho patrocínios e um fluxo constante de trabalho. Por favor, por que eu bateria de frente com vocês e me sujaria à toa?
Júlia sorriu, olhando para Sérgio: — Quem tem a consciência pesada é que sempre quer culpar os outros.
Clarice mordeu levemente os lábios e, de repente, curvou-se: — Júlia, eu realmente espero que você possa esquecer o passado e me perdoar.
E também achava que os recuos constantes de Júlia fossem por falta de contatos e capacidade de investigar.
Clarice não havia pensado errado.
Porque esse era o fato.
Se Júlia não tivesse deixado a Estelar, assinado com a Império Mídia e usado os contatos de sua nova empresa para obter as provas, ela não conseguiria se explicar mesmo que tivesse dez bocas.
O olhar de Sérgio recaiu sobre os documentos.
Na capa de cada um, os eventos estavam claramente identificados.
Os registros de conversas dentro deles também indicavam os horários e os pontos principais.
Ele ficou em silêncio por um momento, depois virou-se para perguntar a Clarice: — O que ela disse é verdade?
Clarice arregalou os olhos, o corpo tremendo levemente, e as lágrimas caíram ainda mais soltas: — Não, não é. Eu nunca uso redes sociais no exterior, muito menos entro em contato com a mídia.
— Quanto ao conteúdo das conversas... tudo isso pode ser forjado. São apenas algumas imagens editadas.
Ela disse, parecendo injustiçada: — Júlia, por que você está me difamando? Se você realmente tivesse provas, por que não falou na época?
Júlia balançou a cabeça, achando tudo extremamente ridículo: — Senhorita Cardoso, não chore. Quem deveria chorar sou eu. Quanto a ser forjado...
— Este é o número do seu celular pessoal usado para contatar a mídia, e o registro da conversa tem o seu endereço IP. Basta comparar e saberemos. Quanto a áudios e vídeos, eu de fato não tenho, porque a delegacia de polícia não é da minha família. Mas se eu denunciar à polícia, acho que conseguiria isso rapidamente. Que tal? Senhorita Cardoso, você quer ir chorar na delegacia?
A expressão de Clarice congelou completamente no rosto.
Seu corpo tremia violentamente, e ela estava pálida como papel.

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