Ela baixou as pálpebras, sem sequer piscar, examinando-o cuidadosamente, como se estivesse realizando uma tarefa de extrema importância.
Um sentimento estranho, intenso e indescritível de calor tomou conta do corpo dele de repente, dando-lhe, naquele instante, a ilusão de estar sendo cuidado e protegido.
Helton fitou, em silêncio, as sobrancelhas e os olhos de Antonela, totalmente tomado de dúvidas.
Ela não estava defendendo aquele homem? Por que se preocupava em verificar se ele estava machucado?
Ao terminar de examinar Helton, Antonela percebeu que, além de algumas roupas amassadas, não havia nenhum ferimento nele. Ela suspirou aliviada, suavemente.
“Ainda bem que você não se machucou.”
Helton respondeu com um leve “uhum” e, em seguida, perguntou de forma indiferente: “Como ele está? Ficou muito ferido?”
Ao ouvir o nome de Eduardo, Antonela perdeu o bom humor e respondeu friamente: “Por que você se importa com o estado dele?”
“Desculpe.” Ele não deveria se importar.
Antonela voltou a questioná-lo: “Por que você foi brigar com ele?”
“Desculpe.” Ele não deveria ter tomado as dores dela nem agredido aquele homem.
“Uma pessoa tão desprezível não merece que você se envolva em briga. E se você tivesse se machucado?”
“Des…” Helton estava prestes a pedir desculpas novamente por reflexo, mas, de repente, compreendeu as palavras de Antonela e levantou a cabeça para encará-la.
Antonela não percebeu a expressão de Helton; continuou a repreendê-lo.
“Da próxima vez, não seja tão impulsivo. Não é sempre que tudo termina bem dessa forma…”
Então ele percebeu: ela não estava defendendo aquele homem, estava preocupada com ele.

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