Selina franziu o cenho, apertou as têmporas com força e soltou um palavrão entre os dentes.
Nesse instante, a empregada voltou às pressas, mas estava de mãos vazias, sem a geleia real que Selina havia pedido.
— Senhora... Pedi para a cozinha preparar outra porção de geleia real pra senhora, mas vai demorar um pouco.
O rosto da funcionária estava pálido, os olhos cheios de apreensão.
Selina cerrou os olhos.
— Como assim? Eu te mandei preparar antes da minha soneca. Está com algum tipo de demência?
— Não é isso... — A empregada respondeu, visivelmente magoada. — Eu preparei sim, mas a senhorita Bianca pegou e tomou tudo.
— O quê?! Aquilo era meu. Quem ela pensa que é pra pegar sem permissão?
Ela lançou um olhar incrédulo à mulher, a raiva subindo num rompante. Sem esperar mais explicações, levantou-se de súbito e desceu as escadas, determinada a tirar satisfação.
Desde que Bianca se instalou ali, sua insônia só piorava. A mente frágil, já à beira de um colapso, estava por um fio.
Mas Bianca parecia não ter um pingo de noção — passava os dias fazendo barulho com a criança pela casa, atravancando o caminho, e sequer fazia um esforço mínimo de cortesia.
Selina tolerava. Por Thiago, seu neto legítimo. E porque a empresa enfrentava um momento delicado.
Mas agora... Aquilo era demais.
A ousadia daquela garota, o desrespeito absoluto às hierarquias, a falta de compostura, aquilo era inaceitável.
Na sala, Bianca brincava de pega-pega com Thiago. Selina pigarreou, e Bianca parou imediatamente ao vê-la. Mas Thiago, ainda no calor da brincadeira, corria em volta da mãe, dando risadinhas animadas.
Selina lançou um olhar cortante à empregada, que se apressou a conter o menino.
— Sr. Thiago, chega de correr. Sua avó chegou.
O menino parou na hora. O corpo encolhido, os olhos arregalados. Correu e se escondeu atrás de Bianca, o medo estampado no rosto.

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