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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 216

Selina franziu o cenho, apertou as têmporas com força e soltou um palavrão entre os dentes.

Nesse instante, a empregada voltou às pressas, mas estava de mãos vazias, sem a geleia real que Selina havia pedido.

— Senhora... Pedi para a cozinha preparar outra porção de geleia real pra senhora, mas vai demorar um pouco.

O rosto da funcionária estava pálido, os olhos cheios de apreensão.

Selina cerrou os olhos.

— Como assim? Eu te mandei preparar antes da minha soneca. Está com algum tipo de demência?

— Não é isso... — A empregada respondeu, visivelmente magoada. — Eu preparei sim, mas a senhorita Bianca pegou e tomou tudo.

— O quê?! Aquilo era meu. Quem ela pensa que é pra pegar sem permissão?

Ela lançou um olhar incrédulo à mulher, a raiva subindo num rompante. Sem esperar mais explicações, levantou-se de súbito e desceu as escadas, determinada a tirar satisfação.

Desde que Bianca se instalou ali, sua insônia só piorava. A mente frágil, já à beira de um colapso, estava por um fio.

Mas Bianca parecia não ter um pingo de noção — passava os dias fazendo barulho com a criança pela casa, atravancando o caminho, e sequer fazia um esforço mínimo de cortesia.

Selina tolerava. Por Thiago, seu neto legítimo. E porque a empresa enfrentava um momento delicado.

Mas agora... Aquilo era demais.

A ousadia daquela garota, o desrespeito absoluto às hierarquias, a falta de compostura, aquilo era inaceitável.

Na sala, Bianca brincava de pega-pega com Thiago. Selina pigarreou, e Bianca parou imediatamente ao vê-la. Mas Thiago, ainda no calor da brincadeira, corria em volta da mãe, dando risadinhas animadas.

Selina lançou um olhar cortante à empregada, que se apressou a conter o menino.

— Sr. Thiago, chega de correr. Sua avó chegou.

O menino parou na hora. O corpo encolhido, os olhos arregalados. Correu e se escondeu atrás de Bianca, o medo estampado no rosto.

— Você fala bem, Bianca. Mas não me engana. Está se vingando de mim, não é? Quer transformar essa casa num caos!

Ela avançou com os olhos fixos em Bianca e fez sinal para que a empregada afastasse Thiago da mãe.

Um passo. Depois outro.

Antes, Bianca se encolhia diante de Selina como um rato diante de um gato.

Agora, mesmo com toda a fúria que emanava da sogra, ela não recuava nem um centímetro.

Ao contrário, ergueu ainda mais o canto dos lábios.

— Ai, mãe, aí a senhora me magoa. Eu sou esposa do Gustavo. A futura senhora desta família. Tudo que eu quero... é o bem da casa. O seu bem.

— PÁ!

Antes que pudesse terminar a frase, o rosto dela virou de lado com o impacto do tapa.

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