Ayla sentiu a dor da força dele, mas seu olhar congelou.
Ela não resistiu mais. Apenas ergueu os olhos, e o que ele viu neles foi como uma lâmina afiada.
— Gustavo — A voz saiu baixa, mas fria o bastante para cortar o ar — Para com esse teatrinho de homem apaixonado. Você mesmo não sente nojo?
— O que está querendo dizer com isso? — A voz dele vacilou. Um traço de pânico brilhou em seu olhar.
Ela estava mesmo diferente.
Ayla sempre foi bonita. Quando séria, parecia intocável. Mas, com ele, ela sempre tinha sido doce, delicada, cheia de amor.
Ele se acostumou com essa versão dela... sem arestas, toda ternura.
— Tem certeza de que quer me ouvir dizer isso com todas as letras? — Ayla inspirou fundo.
Olhar para Gustavo a enojava.
Bonito por fora, sim. Mas por dentro... apodrecido.
Aos olhos dela, ele era lixo.
Estar perto, ouvir a voz dele, tudo era repulsivo.
Gustavo vacilou. As veias da testa saltaram num instante.
— É porque estive ocupado com os projetos? Ou por causa daquela exigência absurda pelas ações da empresa? Ayla, são seis anos! Da faculdade até hoje! Tudo o que fiz por você não significou nada?
— Significou, sim. — Ayla o cortou com uma calma cruel.
— Você fez muita coisa.
— Fez de tudo pra me enganar. Pra me usar como escudo da sua relação nojenta com a Bianca. Pra me transformar na babá do filho de vocês dois. E ainda empacotou isso como se fosse um romance.
— Gustavo, por tudo isso, eu só posso mesmo "agradecer".
Cada palavra dela caiu seca, afiada.

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